Sinistralidade

Mais acidentes com vítimas nas estradas portuguesas

Mais acidentes com vítimas nas estradas portuguesas

O número de acidentes com vítimas em Portugal cresceu em 2021 e 63% dos que ocorreram no continente foram nos arruamentos, destaca a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Enquanto houve mais feridos nas estradas portuguesas, o mesmo não aconteceu com o número de mortos. No conjunto do território, incluindo regiões autónomas, contam-se menos três vítimas mortais face a 2020, embora no continente, onde a maioria morreu nas estradas nacionais, o número tenha permanecido igual. Nos acidentes com bicicletas, houve 23 mortos, mais do dobro do que no ano anterior.

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) divulgou, esta terça-feira, o relatório de sinistralidade e fiscalização rodoviária relativo a 2021, ano em que o levantamento de medidas de confinamento e de restrições aumentou a mobilidade de peões e veículos. De janeiro a dezembro, registaram-se 30 691 acidentes com vítimas em Portugal, dos quais resultaram 401 vítimas mortais, 2297 feridos graves e 35 877 feridos leves.

Face ao período homólogo, em 2021 verificaram-se em Portugal menos três vítimas mortais (-0,7%), mais 2966 acidentes com vítimas (+10,7%), mais 301 feridos graves (+15,1%) e mais 3806 feridos leves (+11,9%).

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No território continental, o balanço de 2021 dá conta de 29 217 acidentes com vítimas, que provocaram 390 mortos, 2106 feridos graves e 34 217 feridos leves.

Com base na sinistralidade do continente, o número de vítimas mortais de 2020 manteve-se no ano passado, mas houve um aumento nos feridos: mais 277 graves (+15,1%) e mais 3511 feridos leves (+11,4%). Os acidentes com vítimas aumentaram 10,2% (+2.716).

Mais mortes no distrito de Lisboa

Numa análise pelos distritos do continente, registaram-se 59 vítimas mortais no distrito de Lisboa, 38 no Porto e 37 em Braga e Setúbal.

Já em termos relativos, o número de mortos atingiu os valores mais elevados nos distritos de Beja, Bragança e Évora com 12, 11 e nove vítimas mortais por 100 mil habitantes, respetivamente. Além disso, registou-se o número mais elevado de feridos graves nos distritos de Beja, Portalegre e Santarém, respetivamente com 60, 50 e 50 feridos graves por 100 mil habitantes.

Quando se faz uma comparação com a média dos cinco anos anteriores em Portugal continental (2016 a 2020), verificamos descidas nos totais de todos os principais indicadores, explica a ANSR. Foram menos 10,5% nos acidentes, menos 16,2% nas vítimas mortais, menos 0,4% nos feridos graves e menos 12,8% nos feridos leves.

Nos Açores, houve 600 acidentes com vítimas, dos quais resultaram três mortos, 107 feridos graves e 682 feridos leves. Na Madeira, foram 874 acidentes com vítimas em 2021, provocando oito mortes e resultando ainda em 84 feridos graves e 978 feridos leves.

Aumento do tráfego e da venda de combustível

A ANSR sublinha que, no ano de 2021, "a sinistralidade rodoviária evidencia uma evolução que reflete o progressivo levantamento de medidas de confinamento e de restrições aplicadas a algumas atividades económicas, resultando, como consequência, em níveis de mobilidade superiores de peões e veículos e aumento de exposição ao risco de acidente".

"O aumento da circulação rodoviária está patente na subida de 5,3% nas vendas de combustível rodoviário em 2021, bem como no crescimento de 13,4% no tráfego registado na rede nacional de autoestradas", explica ainda no comunicado enviado ao JN.

Despistes foram mais fatais

Quanto à natureza do acidente mais frequente, domina a colisão nos dados sobre Portugal continental: foram 15461 acidentes com vítimas, 52,9% do total, 158 vítimas mortais (40,5%) e 928 feridos graves (44,1%). O despiste foi o segundo tipo mais frequente, registando 10 025 acidentes, 34,3% do total, dos quais resultou o maior número de vítimas mortais, 185, correspondendo a 47,4% do total.

Numa análise dos dados pelo tipo de via, também no continente, verificou-se que nos arruamentos houve o maior número de acidentes com vítimas, 18 423 (63,1% do total), 124 vítimas mortais (31,8% do total), o maior número de feridos graves, 940, e de feridos leves, 20 893, correspondendo, respetivamente, a uma redução de 0,8% e aumentos de 18,8% e 12,3% face a 2020. Foi nas estradas nacionais, com 18,8% dos acidentes (5484), que houve o maior número de vítimas mortais (137), 615 feridos graves e 6774 feridos leves, o que corresponde a aumentos face a 2020, respetivamente, de 1,5%, 11,8% e 9,5%.

Mais mortes com bicicletas

Quanto aos acidentes com bicicletas, registou-se um aumento de 20,4% face a 2020 e as mortes envolvendo ciclistas subiram para mais do dobro, totalizando 23 vítimas mortais (mais 130%). Somam-se 138 feridos graves (mais 16%) e 2511 feridos ligeiros (mais 19,7%).

Foram 2756 acidentes em 2021 tendo velocípedes como intervenientes, embora os ciclistas correspondam apenas a 5,8% do total dos sinistros registados.

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