Solidariedade

Mais de 3,5 milhões de euros em donativos contra a Covid-19

Mais de 3,5 milhões de euros em donativos contra a Covid-19

Autorizadas pelo Governo 15 angariações a cabo de várias entidades. Televisões recolhem maiores valores.

Os donativos dos portugueses para as campanhas de angariação contra a Covid-19 já ultrapassaram os três milhões e meio de euros. Das 15 autorizações dadas pelo Ministério da Administração Interna (MAI) a peditórios, metade superou os 200 mil euros cada uma, sendo que as televisões são quem tem melhores resultados neste tipo de iniciativas solidárias.

A montagem de hospitais de campanha, a compra de equipamentos de proteção individual, como máscaras ou viseiras, e de ventiladores são, para já, as principais finalidades onde foi gasto parte destes montantes. Já não se via tamanha generosidade desde 2017, quando os trágicos incêndios levaram a sociedade civil a juntar mais de 18 milhões de euros - cenário que obrigou o Governo a criar um fundo público de gestão desses donativos.

Segundo os dados cedidos pelo MAI, que autoriza as angariações nacionais, a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) permitiu 15 campanhas por diversas entidades, a quem o JN questionou quanto à verba conseguida e o destino da mesma.

Como o período de concessão por norma não se estende além de uma semana, seis delas pediram a renovação, entre elas a TVI - que mantém a iniciativa "Nunca Desistir", com a qual juntou mais de 460 mil euros em chamadas até anteontem, que vão ser entregues ao Banco Alimentar e Cruz Vermelha.

Crise trava angariações

Porém, há quem nem sequer tenha arrancado com ações devido à crise que se instalou nas casas de muitos portugueses e que se faz sentir com incidência em determinados setores, principalmente no da cultura. É o caso da Aporfest - Associação Portuguesa de Festivais de Música, que deixou caducar a autorização.

"Não chegámos a fazer porque não fazia sentido. A área em que atuamos, e à qual apelaríamos à solidariedade, está em crise e confronta-se com a suspensão de festivais", explicou Ricardo Bramão, representante da Aporfest.

Perante a polémica com a distribuição das angariações de 2017, a solidariedade ressentiu-se nos tempos seguintes. A desconfiança foi notória há dois anos, após o grande fogo de Monchique, que em oito dias feriu 41 pessoas e destruiu 74 casas e milhares de hectares. Ao fim de duas semanas, só havia 55 mil euros doados.

Agora, a guerra à Covid-19 parece ter restabelecido a confiança. Só a SIC Esperança obteve a maior angariação: 594 567 euros. A verba servirá para equipar hospitais e instituições particulares de solidariedade social [ver ao lado outras entidades além da SIC e TVI].

Coimas para faltosos

As angariações não autorizadas pela SGMAI são alvo de coimas até aos 4983 euros. As autorizadas têm de apresentar contas, se não incorrem em multas até aos 9975 euros. Já as que decorram nas regiões autónomas só precisam da autorização dos governos regionais, assim como as de âmbito municipal, que só dependem das autarquias.

Estes peditórios não têm a ver com o site criado pelo Governo [covid19.min-saude.pt/], onde há um espaço destinado às ofertas de equipamentos médicos e de proteção para o Serviço Nacional de Saúde, mas não é aceite dinheiro. O primeiro-ministro admitiu, há dias, que não gostaria que se repetisse as situações de 2017 e alertou que não iria "responder pelos mais diversos movimentos" de recolha privada de donativos.

- 14 mil euros

- Banco juntou 42 mil à conta solidária para três ventiladores.

- 8 mil euros

- Quer ter 14 mil euros para ventiladores.

- 335 656 euros

- Ordem dos Médicos e Governo gerem verba.

- 74 667 mil euros

- Equipamentos de proteção para IPSS.

- 460 mil euros

- Para hospital de campanha do Curry Cabral.

- 320 mil euros

- Apoiada pela RTP. Hospital de campanha no Pavilhão Rosa Mota.

- Dois mil euros

- Lions Mundial deu 92 mil euros à nacional. Sem destino ainda.

- 25 975 euros

- Entregues ao São João e ao Santa Maria.

- 10 mil euros

- Campanha continua.

- 500 mil euros

- Fundação EDP já disponibilizou esta verba.

- 640 mil euros

- Ordem dos Médicos e a dos Farmacêuticos destinam verbas a profissionais do SNS.

- 210 335 mil

- Máscaras e viseiras.