Saúde

Mais de metade dos adultos tem carência de vitamina D

Mais de metade dos adultos tem carência de vitamina D

Défice fica a dever-se ao facto de se passar muito tempo em casa. Mulheres sofrem mais do que os homens. Recurso a suplementos não é unânime.

Em Portugal, 66% dos adultos tem insuficiência de vitamina D, segundo o primeiro estudo que analisou a carência da vitamina na globalidade da população adulta e que alerta para o impacto na saúde. Em janeiro, venderam-se mais de 161 mil embalagens de medicamentos que contêm vitamina D, um aumento de 8% face a 2019.

No ano passado, a Direção-Geral da Saúde emitiu uma norma sobre a suplementação de vitamina D, que procurava limitar os casos em que deve ser prescrita, devido ao crescimento exponencial da venda destes medicamentos. Mas, segundo o estudo publicado recentemente na revista científica "Archives of Osteoporosis", mais de metade dos adultos portugueses tem insuficiência de vitamina D.

"Não é uma surpresa. Há um conjunto vasto de estudos feitos em Portugal com subpopulações que apontavam para isto", explica o reumatologista José Pereira da Silva, que coordenou a investigação. O caso de Portugal não é mais grave do que o de outros países do Sul da Europa ou Médio Oriente.

crianças até um ano

"Isto acontece porque o sol está lá fora e nós aqui dentro. Mercê das mudanças culturais, os nossos trabalhos e vidas passaram a ser muito mais dentro de casa. Além de que passamos a aplicar protetor solar", explica o médico. Talvez por isso, as mulheres tenham mais carência do que os homens. "Grande parte da população, especialmente a feminina, usa proteção solar mesmo fora da praia. Não há creme de beleza que não tenha protetor".

Os meses de inverno são os que mais contribuem para este défice. E embora haja alimentos fonte de vitamina D, como peixes, ovos e laticínios, Pereira da Silva diz que "a alimentação tem um contributo muito escasso". "Seria preciso comer 600 gramas de salmão todos os dias para ter uma dose ideal", sustenta o também professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Sugere duas formas para colmatar a insuficiência: "Aumentar a exposição ao sol ou usar suplementos alimentares". Em Portugal, como noutros países, "é obrigatório suplementar as crianças com vitamina D no primeiro ano de vida", para evitar o raquitismo. E ao contrário de outros especialistas, Pereira da Silva defende que se deve manter: "O risco de fazer mal é praticamente zero e a probabilidade de fazer bem é grande".

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