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Mais de metade dos professores não consegue contactar alunos à distância

Mais de metade dos professores não consegue contactar alunos à distância

Mais de metade dos professores (56%) não conseguem contactar todos os alunos através do ensino à distância, revelou um questionário promovido pela Federação Nacional de Professores. O líder, Mário Nogueira, acredita que as escolas vão ter de aumentar contratações e que os docentes afastados dos concursos e do ensino "estarão disponíveis para regressar", tal como aconteceu com os médicos.

Numa conferência de Imprensa, esta quinta-feira, em Coimbra, Mário Nogueira garantiu que a Fenprof ainda não tem qualquer previsão de quantos professores não devem regressar às aulas presenciais, dia 18, por pertencerem a grupos de risco ou apresentarem atestado médico que os dispense desse regresso.

"Não temos dúvida, no entanto, que o reforço da contratação terá de resultar da divisão das turmas e da substituição de professores que não podem comparecer", sublinhou considerando que a falta de docentes não deve ser compensada com a redução da carga letiva dos alunos, até 50%, prevista nas orientações enviadas às escolas pelo Ministério da Educação.

É certo, assumiu, que "há disciplinas com grandes dificuldades de haver professores" suficientes para as substituições mas nesses casos, acredita Mário Nogueira, haverá docentes, por exemplo das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) "que estarão disponíveis para serem chamados às escolas. Haverá muitos que hoje não estão nas escolas mas estão disponíveis para colaborar à distância". Nos últimos anos, recorde-se, mais de dez mil professores deixaram de candidatar-se aos concursos de colocação.

94% consideram que regime agrava desigualdades

A Fenprof já recebeu quase quatro mil respostas mas o questionário sobre o regime de ensino à distância só termina dia 11. Os resultados preliminares revelam que 56% dos docentes não conseguiram contactar todos os alunos e que 94% considera que o regime agrava as desigualdades. Para 60% o apoio dado aos alunos com necessidades educativas especiais "não é o adequado" - "É uma das grandes preocupações dos professores", garante Nogueira,

Para quase dois terços dos que já responderam ao inquérito, o regime de ensino à distância "é muito mais exigente e obriga a muito mais trabalho, havendo relatos de professores que estão até à meia-noite em contacto com alunos ou a responder a encarregados de educação", assegura o líder da Fenprof.

Pedida revisão de número de alunos por turma

Para a Fenprof, que pediu reunião ao ministro com caráter de urgência, as orientações enviadas às escolas "é um documento que não garante as condições necessárias para os professores realizarem o seu trabalho e os alunos se prepararem para os exames".

No próximo ano letivo, os limites de alunos por turma "não devem manter-se" e, por isso, o diploma deve ser revisto e negociado com as organizações sindicais, defende Nogueira.

A Federação concorda com o pedido da associação de diretores (ANDAEP) que defende que só os alunos que se inscreveram em exames devem regressar às aulas presenciais e apenas nessas disciplinas.

Nogueira alerta que não basta a promessa de máscaras - escolas e creches também vão precisar de batas, luvas e gel desinfetante no regresso às atividades presenciais.

A Fenprof pediu pareceres a peritos e especialistas em saúde pública como o Instituto Ricardo Jorge ou o conselho das escolas médicas sobre a calendarização de regresso às escolas (18 de maio para os alunos do 11.º, 12.º e do ensino profissional e artístico e 1 de junho pré-escolar). Dia 18 os delegados irão marcar presença nas escolas para acompanhar o regresso e a Federação irá divulgar um manual de procedimentos sobre as condições de trabalho em tempo de pandemia para distribuir aos professores.