Saúde

Mais de mil camas de hospitais ocupadas por doentes com alta

Mais de mil camas de hospitais ocupadas por doentes com alta

O 6.º Barómetro de Internamentos Sociais concluiu que havia, em março deste ano, 1048 camas ocupadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) por internamentos inapropriados. O número exclui as unidades psiquiátricas e mostra um aumento de 23% nos casos de utentes com alta hospitalar, que por falta de resposta de outros serviços ou de retaguarda familiar, continuam internados nos hospitais públicos, sem que tal se justifique.

"Em março, estavam internadas de forma inapropriada nos hospitais portugueses 1048 pessoas, o que traduz um aumento de 23% face ao mesmo mês do ano passado [2021], quando os internamentos sociais totalizavam 853", lê-se no comunicado da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), que realizou o barómetro em parceria com a empresa EY, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e a Associação dos Profissionais de Serviço Social.

À data da recolha dos dados, 16 de março de 2022, os internamentos inapropriados representavam 6,3% do total de internamentos nos hospitais do SNS, excluindo as unidades de psiquiatria. Mais de metade dos utentes (51%) são homens e 76% têm mais de 65 anos.

Despesa de 124,5 milhões de euros/ano

O custo estimado deste tipo de internamentos era de cerca de 19,5 milhões de euros para o Estado, em março deste ano, o que corresponde a um crescimento face a igual período do ano passado (16,3 milhões). O barómetro aponta que, extrapolando para o ano inteiro, o SNS poderá ter uma despesa de 124,5 milhões de euros em 2022. Um valor global que também aumentou face ao ano anterior: 100,1 milhões em 2021.

A falta de resposta na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados continua a ser a principal causa (59%) para os números dos internamentos inapropriados, de acordo o relatório divulgado esta sexta-feira. Em segundo lugar (11%) surgem empatados a "incapacidade de resposta de familiar ou cuidador" e "aguarda resposta para admissão na Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas (ERPI)".

Mais de 31 mil dias

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Um panorama semelhante foi registado no ano passado. Porém, o tempo de espera para entrar em lares de idosos era tido como uma razão mais preponderante em 2021 (20%), ainda que se mantenha no segundo lugar no "top 3 das causas nacionais". Os dados do barómetro registam "um total de 31 311 dias de internamentos inapropriados", mais 8% relativamente ao último estudo realizado.

É "um número que espelha o elevado impacto deste fenómeno no prolongamento da ocupação das camas em ambiente hospitalar, assim como o aumento dos tempos de espera para internamentos programados, resultando na degradação dos cuidados de saúde", avançam a APAH e a EY em comunicado enviado às redações.

Apesar do aumento total do número de dias dos chamados internamentos sociais, "a demora média nacional por episódio caiu face ao ano passado para 29,9 dias por episódio". Em março de 2021, o número era de 33,6 dias.

Lisboa e Vale do Tejo e o Norte são as regiões que mais contribuem para os internamentos inapropriados em Portugal: "responsáveis por mais de 8 em cada 10 casos" e representam 81% do total. Quanto aos dados de doentes infetados com covid-19, este tipo de internamentos registou uma descida. Em 2020, havia 134 internamentos inapropriados relacionados com o vírus, já a 16 de março deste ano havia apenas 39.

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