Covid-19

Oito milhões de consultas à distância, incentivos no SNS e o que se passa na Austrália

Oito milhões de consultas à distância, incentivos no SNS e o que se passa na Austrália

Desde o início do ano foram feitas mais de oito milhões de consultas à distância e a linha SNS24 deu resposta a mais de 1,3 milhões de chamadas. Portaria sobre regime de incentivos à recuperação das consultas e cirurgias adiadas já foi publicada.

Portugal regista, esta quarta-feira, 1676 óbitos e 47426 casos de covid-19, o que representa uma taxa global de letalidade de 3,5% e acima dos 70 anos de 16,1%, indicou a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal.

A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a registar a maioria dos novos casos: 76,8%.

A governante acrescentou que a atualização dos casos de infeção por concelho passa a ser atualizada, semanalmente, às segundas-feiras. Há "uma relativa estabilização dos números diários", frisou.

"Os utentes podem continuar a contar com o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", sublinhou a secretária de Estado, antes de revelar que, desde o início do ano, "foram feitas mais de oito milhões de consultas não presenciais, o que representa um aumento de 65% em relação ao ano anterior". Já "a linha SNS24 deu resposta a 1.383.812 chamadas", acrescentou.

A plataforma Trace Covid, de monitorização dos suspeitos e infetados, implementada a 26 de março, "contou com o registo de cerca de 75 mil profissionais (...). Em média têm-se registado cinco mil utilizadores ativos por dia".

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Verifica-se uma "aposta clara" no "investimento sem precedentes na utilização de meios tecnológicos" que a "pandemia potenciou", destacou Jamila Madeira, defendendo os "ganhos inequívocos na organização dos serviços, na garantia de acesso e na proximidade ao doente".

"Ao abrigo do Orçamento Suplementar continuaremos a ampliar a rede de equipamentos existentes nas nossas unidades de saúde, com a aquisição e entrega de mais kits de Tele Saúde. Desde o início do ano já foram entregues 883 kits", anunciou.

"Outro desafio", reconheceu a secretária de Estado, é "recuperar toda a assistência médica e hospitalar adiada", nomeadamente consultas e cirurgias. Por isso, anunciou: "Foi hoje publicada uma portaria que aprova o regime excecional de incentivos à recuperação da atividade assistencial não realizada por causa da pandemia covid-19".

"Esta produção adicional (...) será realizada preferencialmente fora do horário de trabalho das equipas, nomeadamente aos fins de semana, com garantia de composição mínima necessárias das equipas", explicou.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, começou por esclarecer as regras que foram anunciadas para o início do ano letivo com as aulas presenciais, devido a críticas no que respeita à distância entre alunos.

Graça Freitas frisou que "as medidas que estão previstas para as escolas são múltiplas" e enumerou: "estão previstos circuitos diferentes, a utilização de máscaras por toda a comunidade educativa, está prevista uma determinada disposição das carteiras nas salas, está prevista uma determinada utilização dos espaços, a sua higienização e as medidas de etiqueta."

Tendo havido "alguma confusão" com a questão do distanciamento entre os alunos, "o que ficou escrito" e "consensualizado entre a DGS e as direções gerais do Ministério da Educação" é que "sempre que possível deve garantir-se o distanciamento físico entre os alunos e alunos/docentes ou outros profissionais de pelo menos um metro sem comprometer o normal funcionamento das atividades", ou seja, "esta medida não deve ser vista isoladamente".

Graça Freitas atualizou o número de infetados com covid-19 na fábrica de cerâmica Geberit, no Carregado, no concelho de Alenquer. "Há 54 casos positivos na empresa" e no total "foram testadas 170 pessoas".

A diretora da DGS sublinhou que "muitos trabalhadores residem noutros concelhos" e que "as autoridades de saúde vão agora investigar" o contexto familiar e social dos infetados, pelo que "podem surgir casos secundários nos próximos dias".

As autoridades de saúde têm estado atentas ao que se passa na Austrália, o "grande radar" do hemisfério sul que está agora no seu inverno para prever o que possa acontecer nos meses frios na Europa. "Tiveram uma primeira onda [de covid-19], conseguiram baixá-la e enfrentam agora uma segunda onda simétrica à primeira", referiu Graça Freitas.

"São um país desenvolvido e robusto cientificamente, por isso estamos a olhar com muita atenção para o que se está a passar lá", sublinhou.

A este propósito, a secretária de Estado adjunta e da Saúde reiterou que o governo vai reforçar com mais pessoal as unidades de Medicina Intensiva, Saúde Pública e procurar aumentar a rapidez dos testes à covid-19 para preparar a chegada do inverno.

Está previsto, quer no orçamento suplementar quer no programa de estabilidade económica e social o "necessário reforço" nas unidades de medicina intensiva que se concluiu que era preciso nos últimos meses, disse.

A diretora-geral da Saúde afirmou que não há provas de que possa ocorrer uma reinfeção de alguém que já tenha tido covid-19, mas que pode haver testes positivos devido à presença de "partículas virais".

"Não há neste momento evidência de que haja reinfeção nem que as pessoas que venham a testar positivo [depois de consideradas curadas] tenham a capacidade de transmitir" a doença, explicou.

Sem "prova inequívoca desse fenómeno da reinfeção", o que se sabe é que há pessoas que podem "ter um teste positivo, mas isso não significa nem que estejam reinfetadas, doentes ou possam transmitir", mas que "na sua área respiratória inferior existem partículas virais que dão positivo no teste que as detete", referiu.

Deve manter-se "o princípio da cautela", recomendou, e mesmo depois de dadas como curadas ao fim de dois testes negativos, as pessoas devem "manter as medidas" de precaução para evitar contrair ou transmitir o novo coronavírus, como o uso de máscara, lavagem das mãos ou etiqueta respiratória.

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