Legislativas

"Mais oferta partidária" e incógnita com Governo aumenta indecisão

"Mais oferta partidária" e incógnita com Governo aumenta indecisão

Todas as eleições são uma incógnita, mas as legislativas de dia 30 são-no ainda mais pela indecisão dos eleitores, por haver "mais oferta partidária" e indefinição quanto às soluções de Governo, segundo Marco Lisi, especialista em representação política.

Professor auxiliar no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, alertou, em declarações à Lusa, que as legislativas têm uma dose extra de incerteza, com "maior fragmentação" partidária, fator que "aumenta a indecisão eleitoral".

Esse "cenário completamente novo" vai "aumentar ainda mais a indecisão", afirmou Marco Lisi, autor do livro "Eleições, campanhas eleitorais e decisão de voto em Portugal", de 2019, que concluiu que, nas eleições de 2002 a 2015, muitos eleitores se decidem durante a campanha e uma pequena percentagem apenas na última semana.

Apesar de não ter uma atualização desse estudo, Lisi admitiu que haverá "muitos eleitores quer de esquerda e de direita que vão estar indecisos pela oferta política", que "vão mudar o sentido de voto" e "pode ser dentro do mesmo espaço político "ou ser "entre blocos ideológicos distintos", acrescentou.

Esta volatilidade tem, ainda segundo o Lisi, mais uma consequência, tornar "mais difícil as sondagens 'acertarem' no resultado final destas eleições".

Numa altura em que o país ainda vive com medidas de restrição devido à pandemia de covid-19, e os partidos terão de adaptar a campanha, os debates na TV ganham importância, a exemplo do que aconteceu nas presidenciais, há um ano.

Marco Lisi é da opinião de que serão "importantes, sobretudo para aqueles eleitores que não têm uma grande afinidade partidária ou ideológica".

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E pode ser um fator para "beneficiar mais os líderes dos novos partidos", como a Iniciativa Liberal (IL) ou o Chega, "do que do que aqueles que já têm uma presença e uma notoriedade junto dos eleitores" nos media tradicionais.

O livro de Marco Lisi teve por base os resultados dos inquéritos pós-eleitorais feitos pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS), que não foram, entretanto, atualizados.

A obra apresenta um quadro sobre a evolução da indecisão eleitoral em Portugal, de 2002 a 2015, e, em média, 71% dos inquiridos responderam ter decidido mais de um mês antes das eleições e 9,8% no mês antes, enquanto 7,9% disseram ter tomado a decisão na semana antes.

Uma percentagem menor, 3,7%, respondeu que só decidiu como votar na véspera e 7,5% admitiu até que só tomou a decisão no dia das eleições.

Em média, lê-se no livro, "cerca de 70% dos eleitores mostra-se resoluto", ou seja, que tomou "a sua decisão mais de um mês antes do dia eleitoral", "cerca de 10% parece tomar a sua decisão no mês que antecede a eleição enquanto os restantes 20% decide na semana antes das eleições".

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