Covid-19

"Mais três ou quatro" aviões chegam ao Porto nas próximas semanas

"Mais três ou quatro" aviões chegam ao Porto nas próximas semanas

A empresa que trouxe o material médico que chegou esta sexta-feira ao aeroporto Francisco Sá Carneiro vai trazer "mais três ou quatro aviões" ao longo das próximas semanas para suprir a falta de equipamentos de proteção.

José Joaquim Alves Ribeiro esteve quase toda a noite a acompanhar o trajeto do avião da Ethiopian Cargo que aterrou esta sexta-feira de manhã, no Porto. Ficou "aliviado" quando o viu pousado na pista. "Conseguimos". É o administrador da Oasipor, uma empresa com sede no Porto e que opera a partir da Trofa, especializada na importação de material médico descartável.

Uma carga essencial para "ajudar a salvar vidas", num momento em que tudo o que existe parece pouco e que foi conseguida pelas relações de amizade que preserva há anos no mercado asiático.

Quando a crise de Covid-19 estalou na China, chegou a mandar máscaras para os amigos a quem subcontrata a maior parte dos produtos que importa. Agora, são eles que o ajudam, reservando material essencial para Portugal. Material cobiçado por vários países.

"Eles guardaram-mo. Tenho 20 milhões de dólares (cerca de 18 milhões de euros) em encomendas lá", explica. Um valor que representa uma operação "muito arrojada", de uma empresa que faturou no ano passado cerca de três milhões de euros.

Desta vez, o avião trouxe seis milhões de máscaras, 10 mil fatos, 20 mil cobre botas e ainda 55 mil batas em plástico com mangas. A segunda carga deve chegar já na próxima semana, com quantidades semelhantes.

Em constante contacto com o Ministério da Saúde e demais entidades que coordenam a resposta nacional à pandemia, José Ribeiro critica a demora da resposta de algumas entidades bancárias aos pedidos de financiamento que fez para realizar a operação. Conta até que alguns amigos médicos lhe emprestaram dinheiro para trazer a mercadoria. "Foi um trabalho duro mas valeu a pena".

PUB

Com pedidos de material de clientes de vários países do mundo, tem os hospitais portugueses como prioridade absoluta, numa altura em que os preços dos equipamentos de proteção se tornam especulativos. "Antes, por 200 mil máscaras pagava quatro mil dólares (3,6 mil euros), agora pelas mesmas 200 mil paguei 75 mil dólares (68 mil euros)", exemplifica.

Difícil foi também conseguir um voo, desta vez providenciado pela Rangel, que custou cerca de 690 mil euros. José esteve ao telefone com os responsáveis várias noites seguidas até conseguir um plano de voo, num processo que contou com a ajuda da Embaixada de Portugal em Pequim.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG