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Mais vacinas da gripe nos centros de saúde só no fim do mês

Mais vacinas da gripe nos centros de saúde só no fim do mês

Os centros de saúde foram informados pelas respetivas administrações regionais de Saúde (ARS) que a última tranche de vacinas contra a gripe só chegará no final deste mês mês. A ordem é agora desmarcar e remarcar as imunizações agendadas. Nas farmácias, o cenário repete-se. A falta de vacinas para venda ao público reflete-se numa quebra nas vendas de 34% face a 2019.

A denúncia partiu do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), citando comunicações das ARS aos cuidados de saúde primários. "Não façam mais pedidos de vacinas da gripe até nova indicação. Apenas está previsto que chegue novo fornecimento de vacinas nos fins de novembro", souberam as unidades de Lisboa e Vale do Tejo (LVT).

Contactada, aquela ARS confirmou que a última tranche da vacina está "agendada para a primeira semana de dezembro", sublinhando que os laboratórios "têm conseguido adiantar em alguns dias as suas entregas". A ARS/ LVT encomendou 569 855 vacinas, tendo à data distribuído 87% por centros de saúde, hospitais, lares e farmácias comunitárias.

De quantas doses ao certo estamos a falar não se sabe - questionada, a Direção-Geral da Saúde não respondeu em tempo útil -, mas só na ARS Norte, de acordo com o documento citado pelo SIM, serão mais de 112 mil. Que só deverão chegar aos armazéns a partir do dia 30, entrando depois em distribuição pelos centros de saúde. Ao JN, fonte oficial disse apenas que estão a "distribuir as vacinas em função da entrega que os laboratórios estão a fazer".

"Neste momento, as unidades têm muito poucas vacinas, sendo que muitas delas não têm nenhuma, pelo que duvido que, no final desta semana, algumas unidades tenham alguma dose", revela ao JN o presidente da Unidades de Saúde Familiar - Associação Nacional. Para Diogo Urjais, fica evidente que nas próximas duas a três semanas não haverá vacinas nos centros de saúde.

"mais política que saúde"

Com duplicação de trabalho nas unidades de saúde, "desmarcando-se o que estava marcado", frisa o presidente do SIM, que fala em "propaganda", ao criar-se "expectativas às pessoas". Para Roque da Cunha, fica provado que "tentam fazer mais política do que saúde".

Ouvida na semana passada no Parlamento, a ministra da Saúde revelou terem sido vacinados um milhão de portugueses, garantindo haver "800 mil em stock".

Do lado das farmácias, os dados da consultora HMR mostram uma quebra de 34% no número de vacinas vendidas entre 1 de outubro e 10 de novembro, num total de 251 mil unidades. Ou seja, as farmácias vacinaram menos 126 279 portugueses. Para a segunda quinzena deste mês está previsto o último fornecimento, num total de 210 mil vacinas, inferior à procura.

Para venda ao público, recorde-se, estavam anunciadas 500 mil unidades, mas o setor apenas conseguiu 440 mil no mercado.

Campanha 2020

São 2,5 milhões de vacinas, a maior quantidade de sempre. Deste total, dois milhões destinam-se ao Serviço Nacional de Saúde (mais 34% do que no ano passado). Sendo que, destes, 10% estão reservados à população com mais de 65 anos e que pode ser vacinada nas farmácias aderentes. Para venda ao público estavam previstas 500 mil, mas o setor só conseguiu garantir 440 mil.

Mais 25% em outubro

De acordo com os dados do Portal de Monitorização do SNS, no mês de outubro, tinham sido vacinadas 713 630 mil pessoas, das quais 98% no SNS. Face ao ano passado, trata-se de um acréscimo de 25%, com mais 144 mil utentes imunizados. De referir que a campanha de vacinação arrancou este ano mais cedo do que em 2019.

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