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"Mandato forte" do centro-direita "bem visto" por credores internacionais

"Mandato forte" do centro-direita "bem visto" por credores internacionais

O centro-direita alcançou nas eleições legislativas de domingo um "mandato forte" para aplicar medidas de austeridade e equilibrar as contas públicas, o que deverá ser bem visto pelos mercados e credores internacionais, afirma, segunda-feira, a imprensa norte-americana.

O Wall Street Journal (WSJ), diário de maior circulação no país e referência para os mercados financeiros, dá às eleições portuguesas o destaque no caderno internacional, titulando: "Portugal termina decididamente com governo esquerdista". Em linha com a vitória da Direita, que "varreu" Sócrates, segundo a Imprensa Europeia.

"Os eleitores escolheram um político e homem de negócios [Pedro Passos Coelho, próximo primeiro-ministro], que quer acabar com o défice das contas públicas dando prioridade a programas de privatizações e prolongando os planos de austeridade existentes para o país, além do delineado no pacote de resgate", afirma o diário norte-americano.

Sublinha ainda que Passos Coelho, que será recebido por Cavaco Silva às 17.30 horas, pretende diminuir o tamanho do governo e do Estado, além de fazer privatizações "ambiciosas", incluindo de parte da Caixa Geral de Depósitos, e rever projectos de infraestruturas, como o comboio de alta velocidade.

Com os votos do PP é possível formar uma maioria no parlamento "capaz de passar medidas de austeridade", o que "será bem visto pelos mercados", adianta o WSJ.

A "vitória retumbante" de domingo, afirma o New York Times (NYT), dá ao próximo governo "um mandato forte para implementar um duro programa de austeridade", em troca de um crédito de 78 mil milhões de euros acordado com União Europeia e Fundo Monetário Internacional.

"Espera-se que o resultado seja saudado pelos credores internacionais que temiam que um resultado menos claro pudesse prolongar disputas políticas sobre a estratégia orçamental que levou à queda do governo do PS", adianta o diário nova-iorquino.

O NYT faz uma comparação com a situação em Espanha, em que os socialistas foram recentemente penalizados nas urnas pela quebra da economia.

Mas no caso de Portugal, sublinha, "as perspectivas para uma recuperação são muito mais frouxas", esperando-se uma contracção económica de dois por cento neste ano e no próximo.

Para a rádio pública NPR, depois da a vitória "enfática" do centro-direita no domingo, Portugal terá agora de atacar o défice nas contas públicas.

"Os socialistas pareceram pagar um preço elevado pela aguda quebra económica do país, que forçou a pedir um resgate financeiro", adianta no noticiário desta manhã.

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