Educação

Manter escolas abertas não é "questão de teimosia", diz secretária de Estado

Manter escolas abertas não é "questão de teimosia", diz secretária de Estado

A secretária de Estado da Educação, Inês Ramires, defendeu, esta quarta-feira, que manter as escolas em funcionamento não é uma "questão de teimosia", mas um "dever acrescido em relação a uma série de alunos para os quais a escola é um refúgio, onde têm acesso a uma refeição e conseguem um enquadramento que os leva a uma melhoria de vida".

As declarações foram proferidas após o acompanhamento dos primeiros testes de antigénio efetuados a alunos, professores e funcionários da Escola Secundária Santa Maria do Olival, em Tomar.

Inês Ramires defendeu que manter os alunos infetados ou em isolamento profilático em casa e os restantes na escola é uma "demonstração de que o sistema funciona". Contudo, considerou compreensível que as pessoas sintam medo, face ao aumento do número de casos de covid-19. "O nosso foco é darmos mais instrumentos às escolas, para continuarem a ser lugares seguros", afirmou, em alusão aos testes de antigénio, que serão realizados hoje e amanhã a 400 alunos, 80 professores e 30 funcionários da secundária de Tomar.

"É um processo que tem início hoje e que queremos que seja continuado, ao longo do tempo. Até ao final da semana, abrange algumas dezenas de escolas e, a partir da próxima semana, serão identificadas outras", explicou a governante. O rastreio será centrado no ensino secundário, nos concelhos de risco extremamente elevado. Porém, garantiu que se se verificar um surto noutros graus de ensino todos os alunos serão testados.

Combate da humanidade

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Já o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Sales, disse que a realização destes testes "permite dar proteção e segurança à comunidade educativa" e que a periodicidade com que serão realizados será avaliada em função da evolução epidemiológica. "Estamos perante um combate da humanidade. Por isso, esta testagem é um rastreio maciço que o Governo quer fazer, para proteger a comunidade educativa", sublinhou.

Confrontado com a possibilidade de vacinar de imediato docentes e não docentes, António Sales defendeu que "os funcionários e os professores não são de risco pelas funções que têm na escola". Face ao aumento do número de infetados, assegurou que o sistema de saúde será expandido até ao limite. "Nenhum sistema de saúde tem uma resposta ilimitada. Agora, temos capacidade de expandir a rede e de fazer transferências inter-regionais, ao nível de camas de enfermarias e ao nível de cuidados intensivos."

"Em março, tínhamos 1141 ventiladores. Hoje, temos 1961. Mas não basta termos ventiladores. Precisamos de médicos, de enfermeiros, de assistentes operacionais, de técnicos de diagnóstico e de terapêutica, devidamente treinados", explicou o secretário de Estado da Saúde. "Estamos a fazer formação para poderem estar nessas unidades de cuidados intensivos, para aumentarmos até ao limite a capacidade de expansão do sistema, em relação com o setor privado e com o setor social, para responder às necessidades dos portugueses."

Presencial como regra

"Com a ajuda dos profissionais de saúde, queremos manter o ensino presencial como regra, mas temos de avaliar a cada momento o que é necessário fazer", esclareceu a secretária de Estado. "Estaremos sempre disponíveis para testar todos os regimes [presencial, misto e online] que estão previstos, desde o início do ano", acrescentou. Confrontada com o facto de a maioria das turmas ter cerca de 30 alunos e de não ser possível existir distanciamento social, garantiu que "no primeiro período, não houve mais infeções em turmas maiores do que em turmas mais pequenas".

Apesar de assegurar que a decisão de manter as escolas abertas foi tomada com base em evidências científicas e na forma como decorreu o primeiro período, Inês Ramires garantiu que serão "tomadas as medidas necessárias", perante a evolução da situação epidemiológica do país. "Estamos a fazer o melhor que está ao nosso alcance, com os recursos disponíveis."

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