Política

Manuel Monteiro apoia Nuno Melo para presidente do CDS-PP

Manuel Monteiro apoia Nuno Melo para presidente do CDS-PP

O ex-presidente do CDS-PP, Manuel Monteiro, declarou este sábado apoio à candidatura de Nuno Melo para a presidência do partido que elege um novo líder este domingo, em Guimarães.

Num longo e muito aplaudido discurso ao jeito de senador, Monteiro foi galvanizador e atirou em todas as direções para fora do partido. Dos "discursos fantasistas" do Chega, aos "liberais de pacotilha" da IL, passando pelo PS que "cede aos interesses de natureza financeira", Monteiro foi o mais notório vestígio do CDS-PP influente e mobilizador de outros tempos.

O discurso do ex-líder dividiu-se em três pontos: Portugal, Governo e CDS-PP. "Por esta ordem de relevância", frisou. E só desfez o tabu no fim: "Respeito todas as moções, mas creio que o partido deve serenamente pensar que os desafios que temos pela frente obrigam a que pensemos quem é aquele que está em melhores condições. É o Nuno Melo, que sendo deputado europeu, tem essa possibilidade".

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Sendo agora apoiante de Nuno Melo, e sem deixar de agradecer a Francisco Rodrigues dos Santos, que também apoiou, Manuel Monteiro conseguiu aplausos unânimes do congresso, mesmo daqueles que não comungam da candidatura do eurodeputado. O motivo deste apoio esteve lá atrás, no início do discurso. Lembrou o CDS que esteve contra a Constituição, que criticou o abandono da capacidade produtiva e que chegou a ter um grande grupo parlamentar. "A história respeita-se e honra-se, mas ai de nós se só soubermos olhar para trás", sublinhou.

Depois, desafiou os congressistas e o futuro presidente do partido a pôr de lado "os slogans cansados da democracia cristã, da direita social que não interessam aos portugueses", para se concentrar num projeto "claro" para o país, "um rumo para Portugal" e um discurso que mostre "aos portugueses porque é que o CDS é diferente".

Daqui, passou para a crítica ao PS, a quem acusou de querer fazer aumentar a dívida pública com a desculpa da guerra na Ucrânia. "Enquanto aqui nos encontramos a dívida pública aumenta". No entanto, foi a enfática crítica ao Chega e à Iniciativa Liberal, os dois partidos que mais "lucraram" com a derrota do CDS-PP e do PSD, que galvanizou as hostes populares.

Primeiro o Chega, devido à contratação da ex-PAN Cristina Rodrigues: "Não é com discursos fantasistas que uns senhores que para aí andam que arvoram permanentemente as palavras em defesa dos valores de Portugal e à primeira oportunidade estendem a mão e contratam gente que defende exatamente o contrário".

Depois a Iniciativa Liberal, ou "liberais de pacotilha", como lhes chamou Monteiro, "que são muito liberais no discurso mas que são muito estatizantes nas avenças que têm com o Estado". E continuou: "Não recebemos lições de moral de liberais que vivem à conta de orçamentos municipais e do Orçamento do Estado". Monteiro lembrou que o CDS "foi o primeiro a defender a privatização da Economia" e, na altura, quem o defendia "não era amigo dos ministros para requisitar avenças".

Nesta altura, a sala estava muda, as cadeiras todas ocupadas e muitos aglomeravam-se de pé a ouvir o discurso junto à entrada para a nave do pavilhão multiusos. Monteiro galvaniza-se e tocou em temas pouco habituais na discussão política, como o processo de Bolonha do Ensino Superior, que classificou de "mentira": "Formalmente andamos a atribuir títulos académicos às pessoas, mas na prática e na realidade diminuímos o tempo de formação académica das universidades. Terá de ser o CDS-PP a dizer o rei vai nu"

Depois, manifestou-se contra a lei da paridade em detrimento do mérito dos eleitos: "É um erro e uma fraude querem-nos impor um regime ditatorial de quotas. É um atentado à dignidade dos homens e das mulheres". Passou ainda pela crítica à regionalização que considera "um golpe no Estado", frisando que defende a descentralização e não compreende "porque é que não fazem o novo aeroporto em Beja". À questão lançada, respondeu: "Há interesses de natureza financeira que estão interessados em que o aeroporto não saia das zonas em que muitos estão instalados".

Abordou ainda "o PSD que tarda em encontrar-se", o PCP e o BE que "procurarão através da agitação social alcançar o que não alcançaram eleitoralmente" e novamente o PS que "tenderá a priorizar o Chega e a IL porque sabe que isso convém à manutenção no poder". Tudo isto para concluir que o Governo "não tem Oposição no Parlamento" e "deve ser o CDS a liderar a Oposição a António Costa e ao PS", mesmo sem representação parlamentar.

Por fim, a frase repetida por três vezes ao longo do discurso de quase 40 minutos: "Não importa como aqui chegamos, importa como daqui saímos". Agora, promete, está "disponível para ajudar o próximo presidente do CDS". E frisa: "Sem cargos, sem qualquer estatuto dentro do partido que não seja aquele de já ter sido qualquer coisa".

Manuel Monteiro foi presidente do CDS-PP entre 1992 e 1998, tendo abandonado o partido em rutura com Paulo Portas para fundar o partido Nova Democracia, do qual também foi presidente entre 2003 e 2008. Mais tarde, em 2019, já com Assunção Cristas, voltou a filiar-se no CDS e recebeu o cartão de militante com Francisco Rodrigues dos Santos.

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