Pandemia

Marcelo exige "vacinar mais e mais depressa" e pede sensatez na Páscoa

Marcelo exige "vacinar mais e mais depressa" e pede sensatez na Páscoa

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta quinta-feira que "um desconfinamento bem sucedido exige também vacinar mais e mais depressa". Disse esperar que a partir de abril seja finalmente ultrapassado o atraso no fornecimento de vacinas e apontou para os 70% de imunizados em setembro. Pediu ainda "sensatez" na semana Páscoa para a situação não voltar a piorar e haver um esbatimento da pandemia antes do verão.

Marcelo Rebelo de Sousa decretou esta quinta-feira a renovação do estado de emergência até 15 de abril, após a autorização do Parlamento, com votos a favor de PS, PSD, CDS-PP e PAN e a abstenção do BE. Esta renovação terá efeitos entre as zero horas de 1 de abril e as 23.59 horas de 15 de abril.

Na sua declaração ao país, o presidente da República começou por destacar que, há duas semanas, recordou no Parlamento "o que todos queremos: que o desconfinamento seja sensato e bem sucedido", colocando a tónica no rastreio, na testagem e na vacinação. "É este o nosso desafio imediato, a começar nos próximos dias até à Páscoa".

"Um desconfinamento bem sucedido exige testar e rastrear, desde logo as escolas que já abriram e aquelas que irão abrir depois da Páscoa. É um esforço enorme mas essencial para garantir a confiança e reforçar a segurança. Um desconfinamento bem sucedido exige também vacinar mais e mais depressa", destacou Marcelo.

Em seguida, referiu que nas últimas semanas "duas questões preocuparam os portugueses e, para sermos verdadeiros, muitos europeus".

"A primeira questão foi a do atraso do fornecimento de vacinas, obrigando a reajustamentos no calendário traçado no final de 2020. Esperamos que esta questão possa ser finalmente ultrapassada durante o segundo trimestre, ou seja já a partir de abril, e que daquilo que nós dependa tudo façamos para recuperar o tempo decorrido, convertendo o milhão de primeira toma e o meio milhão de duas tomas de agora nos 70% de imunizados em setembro".

A segunda questão foi mais "perturbadora", diz Marcelo. "Surgiram dúvidas e depois decisões individuais de vários estados da União Europeia suspendendo o recurso a uma determinada vacina". Essa questão acabou por ser resolvida com intervenção da Agência Europeia do Medicamento, que confirmou a eficácia e segurança da vacina.

PUB

"Portugueses: testar, rastrear, vacinar são essenciais para um desconfinamento bem sucedido", prosseguiu. "Mas não bastam: como disse no dia 9 de março, é preciso sensatez e desde já durante a semana da Páscoa. São dias muito importantes porque a Páscoa é entre nós um tempo de encontro familiar intenso, em particular, em certas áreas do continente e das regiões autónomas". E "as confissões religiosas que vão celebrar a Páscoa sabem-no melhor do que ninguém e têm sido exemplares na proteção da vida e da saúde".

Por outro lado, disse o presidente, a renovação do estado de emergência vai vigorar até 15 de abril, ou seja, para além do tempo pascal e "aí haverá mais escolas, mais atividades económicas e sociais abertas, e muito maior circulação de pessoas. temos de dar esses passos de modo a que esses números de infetados, de cuidados intensivos e de mortos, assim como o indicador de transmissão ou contágio não invertam a tendência destes últimos dois meses nem aumentem por forma a travarem o que todos desejamos: o esbatimento da pandemia antes do verão."

"Façamos deste tempo um tempo definitivo, sem mais confinamentos no futuro, testemos, vacinemos mas cumpramos também as regras sanitárias, contendo o risco de infeção. E se assim for, ao longo da execução do plano de desconfinamento, criaremos as condições para sair do estado de emergência", assegurou o chefe de Estado.

"Portugueses estamos mais perto do que nunca mas ainda não chegamos à meta que desejamos. Um verão e um outono que representem mesmo o termo de mais um ano de vidas adiadas, de vidas atropeladas, de vidas desfeitas. Há ainda caminho a fazer, há ainda precaução a observar, há ainda moderação a manter, tudo a pensar no próximo grande desafio: reconstruir tudo aquilo que a pandemia destruiu", apelou ainda. E "comecemos já pela Páscoa".

Segundo insistiu Marcelo, "são apenas umas semanas, mas umas semanas que bem podem valer por muitos meses e anos ganhos na vida de todos nós. E comecemos já pela Páscoa, antes ainda das aberturas de abril e maio. Com prudência, com sentido de solidariedade, com esperança acrescida de futuro. Portugal merece-o. Todos nós, portugueses, o merecemos".

O projeto de decreto enviado pelo chefe de Estado para o Parlamento na quarta-feira mantém as normas que estão atualmente em vigor, com dois acrescentos. Um sobre medidas de controlo de preços e combate à especulação ou ao açambarcamento, para especificar que podem aplicar-se "aos testes ao SARS-Cov-2 e outro material médico-sanitário". O segundo acrescento é sobre tratamento de dados pessoais, autorizando-os "na medida do estritamente indispensável para a concretização de contactos para vacinação".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG