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Marcelo em Roma para agradecer ao Papa

Marcelo em Roma para agradecer ao Papa

Presidente encontra-se esta quinta-feira de manhã com Francisco no Vaticano, a primeira entidade a reconhecer Portugal como Estado independente.

Referiu-se ao Papa Francisco no dia em que anunciou a sua candidatura a Belém, a 9 de outubro, na biblioteca de Celorico de Basto, e voltou a citá-lo no discurso de vitória, a 24 de janeiro, na Faculdade de Direito de Lisboa. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz que o Papa "tem sido uma luz muito importante nos tempos de guerra, de injustiças e de confronto", mas considera "desproporcionado" compará-lo a Francisco, numa presidência que já disse que quer ser dos afetos.

Esta quinta-feira, pelas 10 horas - apenas uma semana e um dia após a tomada de posse - Marcelo Rebelo de Sousa tem uma audiência com Francisco, no Vaticano. É a sua primeira deslocação oficial, o que justificou, hoje, à chegada, com o facto de o Vaticano sido a primeira entidade a reconhecer Portugal como estado independente. "É um agradecimento", disse, lembrando que "foi um gesto fundamental no arranque do nosso país". A independência de Portugal e o título de rei a Afonso Henriques foram reconhecidos pelo papa Alexandre III, em 1179. De Roma, Marcelo segue para Madrid, onde será recebido pelo rei Filipe VI, cumprindo (em parte) a tradição de a primeira visita do novo presidente ser a Espanha.

Católico assumido, Marcelo não esconde a sua admiração pelo Papa argentino, que esta semana celebrou três anos de pontificado. Mas a sua fé, "nunca dependeu dos Papas. Ou se tem ou não se tem. Sou cristão praticante desde que me lembro e acredito que há uma mensagem revelada por Cristo", disse, ao extinto jornal "24 horas", em maio de 2010, a propósito da vinda do Papa Bento XVI a Portugal.

Mais recentemente, em novembro, em pré-campanha eleitoral, na iniciativa "Conversas com Deus" na Capela do Rato, reafirmou que reza o terço todos os dias. "E nos sítios menos ortodoxos possíveis". Já disse que o faz a conduzir ou num jogo de futebol. "Uma aula também pode ser uma oração". Para ele, rezar não é uma obrigação. "É como respirar", confessou. "Faz parte da minha vida. Não me passa pela cabeça haver um dia sem terço. Não é preciso ser outubro e maio", revelou, na iniciativa da Rádio Renascença.

Nesse encontro, comparou a vida cristã a "uma espécie de rally paper onde se marca e perde pontos. Pecamos 10 vezes e temos três boas ações, é mais ou menos a minha média", disse, revelando que procura fazer esse "exame de consciência" diário. Uma certeza o novo presidente tem: "a vida eterna começa já". E é "no dia-a-dia que podemos criar eternidade na vida dos outros", disse, citando o apoio aos mais desfavorecidos que fez quando colaborou com as conferências de São Vicente de Paulo e, mais tarde, no Casal Ventoso.

No anúncio da candidatura, e esta quarta-feira já em Roma, Marcelo lembrou a "mudança apreciável" do Concílio Vaticano II e como isso marcou a sua juventude. E disse como ser católico influencia a sua visão da política. "O fim maior na política é o combate à pobreza, é a luta contra as desigualdades, é a afirmação da justiça social", disse, quando se apresentou à eleição, reafirmando princípios de sempre da Igreja Católica: "Ninguém se salva sozinho e é preciso construir pontes", disse.

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No discurso da vitória, voltou a prometer atenção preferencial aos mais carenciados. "Os que vivem na periferia da sociedade, de que fala o Papa Francisco". E na posse voltou a falar nos mais de dois milhões de pobres e nas "chocantes diferentes que persistem entre grupos, regiões e classes sociais" em Portugal.

À chegada a Roma, Marcelo teve um encontro com 35 personalidades do clero português em Roma, entre os quais o cardeal José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação dos Santos, e confessou esperar que o Papa lhe dê hoje boas notícias sobre a ida a Portugal, em 2017, para o centenário das aparições de Fátima.

Depois da visita ao Vaticano - que inclui um encontro com o secretário de Estado Pietro Parolin, o cardeal que é o número dois da hierarquia da cidade-estado, com funções correspondentes às de um primeiro-ministro -, Marcelo segue viagem para Madrid. Ao fim da tarde desta quinta-feira tem um encontro com o rei Filipe VI no Palácio Real, e janta com os reis, cumprindo assim, em parte, a tradição de a primeira visita de Estado ser ao país vizinho. Cavaco Silva, em 2006, foi isso que fez, mas a primeira saída do país ocorreu só seis meses depois da posse, a 9 de março: esteve em Espanha entre 25 e 27 de setembro.

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