Sondagem

Marcelo com via aberta para novo mandato

Marcelo com via aberta para novo mandato

Marcelo Rebelo de Sousa parece ter uma popularidade à prova de bala. Se se repetissem agora as eleições presidenciais de 2016, seria escolhido com 74%, diz a sondagem da Pitagórica.

Uma intenção de voto alicerçada nos 91% que fazem uma avaliação positiva da sua presidência.

Se os presidentes escrevessem programas eleitorais, o de Marcelo "seria coser o povo, as elites, o território, o país". A impressão foi de Leonete Botelho, uma das autoras do livro "Marcelo. Presidente todos os dias" e transforma-se em facto com os resultados do inquérito feito aos portugueses neste mês de abril. O atual inquilino do Palácio de Belém coseu tão bem o país, que não há região, classe social, grupo etário ou eleitoral que não lhe dê um apoio massivo.

Todos os partidos

Marcelo somaria agora mais 22 pontos do que aqueles que teve há três anos. Embora seja necessário olhar para estes dados com a ressalva de se saber que voltou a ser confrontado com os mesmos adversários de janeiro de 2016, vários deles fora do radar público, é relevante a capacidade de conquistar apoios em todos os partidos. Com especial destaque para os eleitores do PS, que lhe dariam agora 80%, um ponto mais que os do PSD/CDS, o berço natural da sua candidatura. Os eleitores da CDU são os menos disponíveis para a rendição. Ainda assim, o apoio chega aos 50% (são apenas menos dois pontos que os 52% que o levaram à Presidência).

Adivinha-se um passeio para a recandidatura de 2021, que Marcelo já pré-anunciou durante as Jornadas Mundiais da Juventude no Panamá, enquanto rejubilava com a escolha de Lisboa para as que se seguem, em 2022. No entanto, se quiser bater um recorde, há um número: os 70% que Mário Soares conseguiu na reeleição de 1991.

Felisbela Lopes, coautora do livro já citado, notava que as pessoas começam a ficar "cansadas das selfies" e ainda mais do "excesso de comentário". Se é o caso, ainda não o expressam. São 91% os que acham boa a atuação do presidente Marcelo (29% dizem mesmo que é muito boa), conseguindo praticamente a unanimidade entre os portugueses da faixa etária dos 55 aos 64 anos (97%), dos habitantes de Lisboa (95%) e dos eleitores do PS e do Bloco (96%). São mais 10 pontos do que entre a sua família política de origem (PSD/CDS).

Exigência ao Governo

O que a sondagem da Pitagórica para o JN já confirma é uma outra previsão de Felisbela Lopes. Dizia a professora da Universidade do Minho que Marcelo Rebelo de Sousa "vai ter de introduzir uma nova agenda social (...) e encontrar um outro relacionamento com o Governo, se calhar mais disruptivo", sobretudo no caso de avançar para um novo mandato.

Aos inquiridos foi perguntado especificamente se o presidente deve ser mais exigente com o Governo e a resposta é esclarecedora: 71% dizem que sim, embora não se note a mesma transversalidade de outras apreciações. Esse rigor é pedido em particular pelos eleitores mais jovens, dos 18 aos 24 anos (82%). E é o único caso em que se nota uma oscilação significativa quando se comparam as classes sociais: 80% dos mais pobres pedem mais exigência.

Mas é entre os eleitores dos diferentes partidos que se nota pela primeira vez alguma divergência sobre Marcelo Rebelo de Sousa. São os que votam no PSD e no CDS que pedem uma voz mais firme perante António Costa (84%). Entre os que apoiam os restantes partidos, esse pedido de exigência também é maioritário (74% no BE, 58% no PS e 57% na CDU), mas mais de um terço dos socialistas e comunistas não está de acordo com essa via.

Muito melhor que Cavaco Silva na Presidência

Pode afirmar-se sem receio que a forma de Marcelo exercer a presidência é diferente de qualquer dos seus antecessores. Mas essa diferença, na forma e no conteúdo, acentua-se quando a comparação se faz com Cavaco Silva. De acordo com a sondagem da Pitagórica para o JN e a TSF, os portugueses não hesitam na escolha e 89% afirmam que Marcelo é melhor presidente que Cavaco. Mais, são 54% os que garantem que é muito melhor. São em número residual os que acham que é igual (7%) ou pior (4%). Destacam-se de novo no entusiasmo os eleitores entre 55 e 64 anos (97%) mas também os que votam no BE (97%), com o bónus de 71% dos bloquistas optarem pelo "muito melhor".

Vitória sobre António Costa na confiança

Quando os inquiridos são confrontados com o dilema de escolher entre dois personagens, Marcelo volta a vencer com folga. Perguntou-se se os portugueses confiam mais no presidente da República ou no primeiro-ministro e o resultado é esclarecedor: 58% entregam a sua confiança a Marcelo Rebelo de Sousa e apenas 7% a António Costa. Acresce que 31% optam por "igual confiança". Se o que está em causa é Costa, o terreno é naturalmente difícil à Direita. Os eleitores do PSD/CDS só têm confiança em Marcelo (82%). Curiosa é a seleção do eleitorado socialista para o dilema: ainda que Marcelo (33%) ganhe a Costa (10%), a maioria (55%) afirma confiar em ambos, sem arriscar distinções.