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Marcelo entra a pés juntos com Ventura: "A minha direita é a social. A sua é a do medo"

Marcelo entra a pés juntos com Ventura: "A minha direita é a social. A sua é a do medo"

Contra todas as expectativas, foi Marcelo Rebelo de Sousa o primeiro a assumir o ataque, ao separar as águas de forma clara: "Há uma diferença clara entre nós. A minha direita é a social. A sua é a do medo, persecutória e securitária".

Antes mesmo de Ventura poder reagir, Marcelo acusou ainda Ventura de ser "o líder de uma fação e manter várias agendas ao mesmo tempo".

Ultrapassada a surpresa inicial, o líder do Chega partiu para a ofensiva e acusou o atual presidente de ter sido conivente em diversas áreas, a começar pela substituição da Procuradora Geral da República e do presidente do Tribunal Constitucional. Uma crítica que Rebelo de Sousa refutou, ao dizer que as substituições não travaram o combate à corrupção".

O tom cordato inicial - Ventura elogiou o seu oponente por ter dito que não ilegalizaria o seu partido, ao contrário das candidatas Marisa Matias e Ana Gomes - não demorou muito a ficar para trás quando o presidente do Chega confrontou Rebelo de Sousa com uma fotografia sua no Bairro da Jamaica, ao lado de alguns moradores que viriam a ser posteriormente condenados, apelidados de "bandidos" pelo candidato. "Eu represento a direita que não deixa as pessoas de bem sozinhas. Gosta de se dizer da direita, mas está sempre de braço dado com o Bloco e os outros partidos de esquerda", reforçou.

O remoque fez com que o atual PR voltasse a apontar as diferentes conceções políticas de ambos: "A minha direita é a da inclusão. A Jamaica é um caso social. Essa distinção diz tudo sobre si. Não há portugueses puros ou impuros".

A alegada proximidade excessiva com o Governo foi o tópico seguinte explorado por André Ventura. "Está sempre a apaparicar o Governo. Como é que não vetou a Lei das Expropriações?", questionou, antes de confrontar com a segunda fotografia da noite, desta feita com o chefe de Estado durante os incêndios de Pedrógão.

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Às críticas de colagem ao executivo reagiu Marcelo com vigor, dando como exemplo os comentários que proferiu recentemente na área da Justiça: "Quer crítica maior do que a fiz? Um decreto a demitir a ministra?"

As diferenças entre os dois candidatos voltaram a saltar à vista a propósito do regime defendido. O presidente em exercício rejeitou o modelo presidencialista, ao defender que este modelo conduz a ditaduras". Um cenário rejeitado pelo seu oponente, para quem este tipo de regime daria voz aos mais desprotegidos.

Foi já na reta final que os ânimos aqueceram em definitivo. Perante novas acusações de "inação" e "falta de coragem", Marcelo exaltou-se. "Não lhe admito", afirmou, relembrando que nas audiências que têm mantido nunca se referiu ao seu papel nesses termos.

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