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Marcelo falou com Centeno após momento de tensão

Marcelo falou com Centeno após momento de tensão

Marcelo Rebelo de Sousa telefonou a Mário Centeno para esvaziar a polémica devido às declarações produzidas na Autoeuropa, sobre a transferência dos 850 milhões de euros do Estado para o Novo Banco. O presidente da República terá apontado um mal-entendido mas não houve qualquer pedido de desculpas ao ministro das Finanças, apurou o JN.

A chamada telefónica de Belém terá ocorrido ainda de madrugada e na senda da reunião entre António Costa e Mário Centeno, em São Bento na quarta-feira à noite, que acabou com um comunicado em que o gabinete do primeiro-ministro traduziu todo este caso como uma "falha de informação" dentro do Governo.

O JN soube que Marcelo terá manifestado a Centeno que as palavras elogiosas ao comportamento de Costa neste processo, feitas na fábrica da Volskwagen em Palmela, na quarta-feira de manhã, não visaram a fragilização política do ministro das Finanças. Antes a necessidade de transparência do processo de apoio ao Novo Banco em pleno combate à pandemia. Para o chefe de Estado, um apoio de tal monta teria exigido uma melhor comunicação da pasta das Finanças.

O diálogo entre Belém e o Terreiro do Paço terá terminado, não com qualquer pedido de desculpas mas, sim, com Marcelo a evidenciar a importância de Mário Centeno se manter no Governo neste período de esforço nacional.

O Palácio de Belém emitiu entretanto uma nota de imprensa onde refere que, em tal chamada, "o Presidente da República não se pronunciou, nem tinha de se pronunciar, sobre questões internas do Governo, nomeadamente o que é matéria de competência do Primeiro-Ministro, a saber a confiança política nos membros do Governo a que preside".

Todavia, o JN também apurou que do lado de Centeno haverá um sensação de alguma ingratidão por parte de Belém, e até em parte de São Bento. Tendo em conta o trabalho que desenvolveu nos últimos cinco anos, como por alegadamente o primeiro-ministro conhecer o compromisso do Estado em relação ao Fundo de Resolução, estabelecido em 2017.

Mais: as declarações de Centeno nos últimos três dias, em que sublinhou por diversas vezes que o montante transferido para o Fundo de Resolução estava cabimentado no Orçamento do Estado para 2020, terão visado o primeiro-ministro.

Haverá um entendimento de que António Costa - por duas vezes em debate parlamentares no último mês, sempre questionado pelo BE - não deveria ter associado a luz verde aos 850 milhões para o Novo Banco à auditoria que está a decorrer à atividade da instituição entre 2000 e 2018.

Sendo que nas Finanças, o objetivo seria o de não alimentar a polémica, para não beliscar a imagem de Portugal junto dos mercados internacionais, criando-se a ideia de um Governo incumpridor de contratos, ainda para mais a uma semana de ser conhecida uma nova notação financeira de uma agência de rating relativamente ao país.

Na verdade, adiantaram ao JN fontes ligadas a este processo, na reunião tida em São Bento terá existido uma assunção mútua de responsabilidades de que este processo de financiamento do Novo Banco não terá corrido de forma ideal e que, pelo menos até 13 de julho, altura em que Centeno terminará o mandato no Eurogrupo, não haverá mudanças de cadeiras no Terreiro do Paço.

Todavia, ao JN foi dado o exemplo do ex-ministro das Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem, que antecedeu Centeno na liderança do Eurogrupo, de que já não era governante há algumas semanas e que mesmo assim assegurou a transição da presidência daquele órgão europeu ao longo de cerca de um mês.

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