Presidenciais

Marcelo, Governo e saúde no alvo em dia de campanha "quase" normal

Marcelo, Governo e saúde no alvo em dia de campanha "quase" normal

Os candidatos presidenciais começaram esta segunda-feira o segundo dia de campanha ao ritmo pré-pandemia, antes do confinamento que deixará a maioria on-line, falaram da saúde que falta em tempos de covid-19 e da vacina para a democracia.

A saúde e a resposta a epidemia em Portugal continuaram a ser tema comum na campanha da socialista Ana Gomes, o comunista João Ferreira e a bloquista Marisa Matias, que hoje estiveram "na rua" e tiveram alvos diferentes - uns apontaram ao Presidente e recandidato Marcelo Rebelo de Sousa e outros ao Governo.

No arranque da sua campanha oficial, em Sintra, a embaixadora prometeu que continuará a campanha, sobretudo num formato digital, quando for decretado um novo confinamento devido à pandemia de covid-19, e acusou Marcelo de "menosprezo" pelos eleitores.

Depois de anular todas as iniciativas previstas para domingo, por aguardar pela reunião com os epidemiologistas no Infarmed em que participará por videoconferência na terça-feira, quando ouviu o Governo a praticamente admitir o novo confinamento, disse querer "a possibilidade de fazer contactos no terreno até lá".

Numa visita ao centro de saúde Algueirão-Mem Martins (Sintra), Ana Gomes, ao ser questionada sobre uma eventual requisição civil na saúde, apontou ao Presidente e recandidato, que acusou de ter desequilibrado a negociação na saúde a favor dos privados "contra o interesse público", dificultando um entendimento entre as partes.

Hoje, Marcelo não respondeu: não fez campanha na rua, até dia 18, por estar em vigilância, depois de ter tido um contacto com um elemento da sua Casa Civil infetado com o novo coronavírus.

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Com o mesmo sentido crítico de Ana Gomes, o candidato comunista João Ferreira (apoiada pelo PCP e PEV) acusou os privados na saúde de se porem "ao fresco" na "hora do aperto" e de "desertarem" nos momentos difíceis, como é o combate à pandemia de covid-19.

Foi na passagem por terras alentejana, em Santiago do Cacém (Setúbal) que João Ferreira fez a crítica, numa ação num anfiteatro com 242 lugares que, por uma questão de segurança sanitária, teve pouco mais de meia centena de pessoas.

"Percebemos hoje que aquele negócio que cresceu à sombra do desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde, porque foi quando se começou a desinvestir no SNS que começou a nascer e a proliferar o negócio privado da doença, percebermos hoje que na hora do aperto, esses, os grupos económicos que fazem esse negócio, põem-se ao fresco", afirmou o eurodeputado comunista.

Ainda à esquerda, Marisa Matias, do BE, não abordou diretamente a saúde, mas começou por um tema conexo, o estatuto do cuidador informal, e "atirou" ao Governo pelos atrasos nos projetos-piloto, regulamentação e implementação.

Foi o que disse em casa de Rosália Ferreira, no concelho de Almada (Setúbal), no arranque de mais um dia de campanha e onde recordou um dos "movimentos mais bonitos" a que assistiu: "800 mil pessoas que estavam invisíveis e silenciadas e que cuidam dos seus familiares 24 horas por dia, 365 dias por ano. Muito recentemente em Portugal nós conseguimos o estatuto do cuidador informal. É um passo gigante, importante, que não deve ser desvalorizado."

Outro candidato que vai "confinar" a campanha é Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, que hoje foi dar sangue e "um pouco de coragem" para servir de exemplo aos portugueses que "têm receio" de ir aos hospitais por causa da pandemia de covid-19.

Depois de dar sangue, no Hospital de São João, no Porto, Tino de Rans disse que a "democracia precisa de ser vacinada", insistiu no adiamento das eleições e alertou para "as golpadas" com os votos dos idosos nos lares.

Em Faro, no Algarve, mas com o mesmo registo desconfiado, o deputado e candidato presidencial do Chega, André Ventura, reiterou as críticas ao ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, mas mostrou-se confiante na fiabilidade do "sistema eleitoral" português, mesmo com uma previsível adesão recorde ao voto antecipado.

"Eu não alimento teorias da conspiração, confio muito no nosso sistema eleitoral e confio que as autoridades e os delegados não brincam com uma coisa tão séria como a nossa democracia", disse.

Tiago Mayan Gonçalves classificou o seu projeto para a Presidência e para Portugal como a única proposta liberal, apelando aos eleitores que querem inverter o rumo socialista e longe de extremismos.

"Se votas igual, não esperes diferente" é a frase que se lê no novo cartaz da campanha do candidato da Iniciativa Liberal (IL) à Presidência da República, colocado hoje em plena Avenida da República, em frente ao Campo Pequeno, em Lisboa.

Se a manhã começou em ritmo quase normal para uma campanha eleitoral, o dia terminou a acertar o passo pelos cuidados sanitários da pandemia, com os candidatos a evitar contactos com muita gente, sem jantares nem comícios.

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