Orçamento

Marcelo não quer adiar OE seis meses e país "parado" devido a eleições antecipadas

Marcelo não quer adiar OE seis meses e país "parado" devido a eleições antecipadas

Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta quarta-feira um aviso aos partidos, defendendo que não compensará esperar seis meses, com o país "parado" até abril, por um novo Orçamento do Estado se for agora chumbado, por isso implicar eleições antecipadas. Ou seja, crê que a alternativa à sua aprovação é demasiado "pesada e custosa", apelando a um entendimento, mas desafia os partidos a lhe explicarem sexta-feira o contrário.

O presidente da República fez assim a sua primeira reação ao impasse vivido em torno do Orçamento, após os socialistas e o Governo acenarem com uma crise política, também já referida por Marcelo, na sequência da ameaça de chumbo por parte de Bloco e PCP.

O chefe de Estado pensa "convictamente que o Orçamento vai passar", até porque avisa que haveria eleições antecipadas e o país ficaria "parado" até abril. Seriam "seis meses de paragem na nossa sociedade, na nossa economia e paragem em muitos fundos europeus."

"A alternativa é tão pesada e tão custosa que é natural que tudo seja feito para haver Orçamento", apelou Marcelo. Mas "pode ser que os partidos", que recebe sexta-feira, lhe digam que está "enganado", que "as eleições são boas, que vai haver uma solução mais clara" no Parlamento e será "mais fácil chegar a um entendimento" para um OE que seja mais benéfico para os portugueses.

Contra crise política

Apesar desta ressalva, e de remeter para as reuniões de sexta, o presidente deixou claro que esse não é, a seu ver, o caminho certo, quando pensa "numa crise política e no que isso significa para as pessoas".

"Dificilmente o Governo poderia continuar a governar com o Orçamento deste ano dividido por 12, sem fundos europeus, portanto, muito provavelmente haveria eleições", explicou. Acrescentou que tal implicaria 60 dias "entre a convocação e a realização" de eleições legislativas e "não poderia haver eleições entre o natal e o fim do ano". Assim sendo, "ficariam para janeiro" e haveria "novo Governo em fevereiro", existindo apenas um "novo Orçamento em abril".

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"País precisa dos fundos" no seu "pior momento"

Perante a ameaça de chumbo, referiu que "o bom senso mostra que os custos são muito elevados". "Tenho para mim que é natural, com mais entendimento ou menos entendimento, com mais paciência ou menos paciência, que acaba por passar na Assembleia da República o Orçamento do Estado", prevê Marcelo Rebelo de Sousa.

Em particular, nota que Portugal "precisa de utilizar os fundos europeus para a sua reconstrução", quando está "a sair de uma pandemia" e "não deve ter seis meses de paragem no pior momento por causa de eleições e da formação de um novo Governo".

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