Covid-19

Marcelo não se opõe ao uso de máscara no exterior e deixa recado a ministra

Marcelo não se opõe ao uso de máscara no exterior e deixa recado a ministra

Marcelo Rebelo de Sousa considerou "primitivo" que haja quem faz do racismo forma de afirmação pessoal e alertou que a pandemia está para durar.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou, esta manhã, um período de férias no Algarve. À chegada à praia do Alvor, comentou aos jornalistas que o esperavam vários assuntos de atualidade.

Mochila às costas, máscara no rosto, Marcelo fez questão de salientar que a pandemia está para durar e matar, pelo que os cuidados continuam a ser um imperativo, não se opondo, enquanto mais alto magistrado da Nação, ao uso de máscara na via pública.

"Essa é uma decisão que as autoridades sanitárias terão de tomar, mas vejo que algumas nações na Europa estão a caminhar para isso progressivamente", observou o presidente da República. "Eu pessoalmente, tento sempre que é possível no exterior usar máscara, com exceção do automóvel, quando conduzo eu, ou em Belém, quando estou sozinho ou no exterior", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Numa reação à entrevista da ministra do Trabalho e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, ao "Expresso", na qual a governante assumiu não ter lido o relatório demolidor da Ordem dos Médicos ao surto de covid-19 que matou 18 pessoas no lar de Reguengos de Monsaraz, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "é preciso ler todos os relatórios".

E são quatro, os relatórios. Um do presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, outro da Fundação que é dona do lar e ainda os relatórios da Administração Regional de Saúde e da Ordem dos Médicos, que diz, taxativamente, que o lar não cumpriu com as orientações da DGS.

Marcelo considerou que os documentos "não têm exatamente as mesmas conclusões" e escusou-se a fazer comentários "sobre uma matéria que está a ser investigada pelo Ministério Público", sustentando que há "muita matéria para apreciar".

O CDS reagiu entretanto à ministra do Trabalho e Solidariedade Social. Considerando que as declarações da governante parecem retiradas de um filme de terror, o líder centrista diz que Ana Mendes Godinho não tem condições para continuar no cargo.

Convidado pelos jornalistas a comentar a festa do Avante, que vai em frente, com um terço da lotação e regras específicas, o presidente da República disse que "há de haver um momento em que haverá uma explicação global" .

Segundo Marcelo, "vão ser conhecidos aos poucos os ajustamentos" à festa do Avante, organizada pelo PCP. "Uma realidade daquela natureza é muito complexa", disse o presidente da República, sublinhando que, tal como disse a ministra da Saúde, na sexta-feira, terão de ser cumpridas as regras estabelecidas para transportes de autocarro, para os concertos, para a restauração, e a lotação do espaço, que o partido encolheu para um terço.

"Não é uma regra, são muitas, é um conjunto de regras" que devem ser aplicadas à festa do Avante, sublinhou Marcelo. "A DGS tem de explicar essas regras, para ficar claro", acrescentou o presidente da República.

"É importante que as pessoas vejam em todas as informações da DGS um exemplo do que fazer", disse Marcelo. No geral, continua-se a acreditar nas autoridades sanitárias. E isso é um ponto fundamental, porque isto não está para acabar amanhã, está para durar meses", sublinhou Marcelo.

Racismo é forma primitiva de afirmação

Questionado sobre o racismo, que emergiu à superfície da sociedade portuguesa em força nos últimos tempos, com manifestações de extrema-direita e ameaças a dirigentes políticos e associativos, Marcelo rebelo de Sousa disse esperar que não tivesse influência na vida política e da sociedade portuguesa.

"Nem percebo que seja um tema que merece discussão, na sociedade portuguesa ou no Mundo. É tão óbvio que é contra o respeito da pessoa humana, tão óbvio, tão óbvio, tão óbvio, que me parece primitivo que haja quem faça do racismo uma forma de afirmação social", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

"Como é que as pessoas se querem dar ao respeito se não respeitam os outros", questionou o presidente da República, aconselhando "tolerância zero para atos de racismo" e deixando um conselho. "Isto só se vence com cabeça fria, com razão", acrescentou.

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