Vila do Conde

Marcelo não vê problema na visita de Netanyahu e Pompeo

Marcelo não vê problema na visita de Netanyahu e Pompeo

O Presidente da República comparou, esta quinta-feira, o encontro entre Mike Pompeo e Benjamin Netanyahu ao de Nixon e Pompidou ocorrido nos Açores, ainda durante a ditadura. Marcelo Rebelo de Sousa diz que, na altura como agora, os dois queriam tratar "problemas entre eles" e "escolheram Portugal como território" para o encontro.

Por enquanto, o chefe de Estado não vê motivos para preocupação, mas só na próxima semana, depois de reunir com António Costa, terá mais informações sobre o caso.

"Não é a primeira vez que isso acontece. No tempo da ditadura, era presidente do conselho de ministros Marcelo Caetano, houve um encontro nos Açores entre o presidente Nixon [EUA] e o presidente Pompidou [França]. Queriam tratar problemas que não tinham a ver com Portugal. Eram problemas entre eles e escolheram Portugal como território para esse encontro. Provavelmente, é o que acontece também no encontro entre o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo", frisou Marcelo Rebelo de Sousa, esta quinta-feira, à margem da visita à EB 2,3 Dr. Carlos Pinto Ferreira, na Junqueira, Vila do Conde.

Quanto às críticas da esquerda e à comparação do encontro bilateral com a Cimeira das Lajes, o Presidente da República diz que são "situações diferentes". Na altura, "Portugal quis alinhar e estava envolvido". Neste caso, frisa, "os dois países discutem interesses deles" e, num segundo momento, contactos do governo português com cada um dos Estados, mas, e porque não tem "conhecimento total" da situação, Marcelo mais não diz e recusa, por enquanto, comentar a manifestação já marcada para amanhã em Lisboa.

Regionalização: "Precipitação é o maior obstáculo"

Em matéria de regionalização, Marcelo Rebelo de Sousa recusou comentar a proposta do CDS. Os centristas defendem que a regionalização só deverá avançar com referendo. O Presidente da República diz que só se pronunciará depois de ver a questão discutida no Parlamento.

"O que tinha a dizer disse em frente a 600 autarcas de todo o país. Quem quer a regionalização não deve precipitar-se, porque a precipitação pode ser exatamente o grande obstáculo. Para quem não quer a regionalização, a precipitação pode constituir um argumento para não regionalizar", frisou.

"Se se quer regionalizar, num modelo virado para o futuro, diferente do modelo de há 20 anos, com cabeça, tronco e membros e não pondo o carro à frente dos bois, então é preciso não haver precipitação", rematou Marcelo.

O chefe de Estado recusou ainda comentar as críticas dos presidentes das câmaras de Lisboa e do Porto, Fernando Medina e Rui Moreira, que o consideram "o principal entrave à regionalização" e diz que quando, na sexta-feira, falou no XXIV Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), foi "compreendido" e "aplaudido".