Ano Novo

Marcelo pede um Governo "concretizador e dialogante" em 2020

Marcelo pede um Governo "concretizador e dialogante" em 2020

Marcelo Rebelo de Sousa apelou ao Governo que seja "forte, concretizador e dialogante" no ano que se inicia, lembrando os socialistas que os portugueses não lhes deram a maioria absoluta mas quiseram manter a solução da "geringonça". O presidente da República alertou para um diagnóstico difícil em diversos setores, que devem ser resolvidos com "determinação", a começar pelos "estrangulamentos na Saúde".

Na mensagem de Ano Novo, esta quarta-feira, a partir da ilha do Corvo, o chefe de Estado deixou vários apelos, quer à Europa, quer ao Governo de António Costa, a quem, à beira de se iniciar a discussão no Parlamento da proposta orçamental, apontou várias prioridades:​​​​ saúde, segurança, coesão, conhecimento e investimento.

Num discurso em que invocou a necessidade de "esperança" no ano que se inicia, Marcelo defendeu que, se "na Europa, esperança quer dizer governantes que reforcem a unidade", já por cá, "quer dizer Governo forte, concretizador e dialogante, para corresponder à vontade popular, que escolheu continuar o mesmo caminho mas sem maioria absoluta".

Para a Oposição, que durante este mês de janeiro vai a eleições internas, como o PSD e o CDS, também foi feito semelhante desafio, a quem pediu que seja "forte e alternativa ao Governo". No geral, desejou, "capacidade de entendimento entre partidos, quando o interesse nacional assim o exija".

Se há áreas que devem e merecem ser alvo de aposta em 2020, Marcelo disse, após os apelos aos partidos, que a Justiça deve ser a primeira: "deve ser respeitada, atempada e eficaz no combate à ilegalidade e à corrupção, e por isso criadora de confiança". "Forças Armadas tratadas como símbolo de identidade nacional, forças de segurança apoiadas para serem garantes de autoridade democrática, comunicação social resistente à crise financeira que a vai corroendo, um Poder Local penhor de maior coesão social, descentralizando com determinação e sensatez", prosseguiu.

"Para tudo isto ser possível é preciso crescimento, emprego e preocupação climática duradoiros, inovação na ciência e tecnologia, educação e mobilização cívica, para que com esse crescimento enfrentarmos chocantes manchas de pobreza, estrangulamentos na saúde, carências na habitação, urgências para com cuidadores informais e sem abrigo", disse.

Marcelo reconheceu a "escassez de recursos", por isso, para responder às necessidades identificadas, defendeu que se concentre as respostas mais prementes "na saúde, na segurança, na coesão e inclusão, no conhecimento e no investimento".

Numa mensagem que começou a ser transmitida pelas 13.02 horas e durou oito minutos, Marcelo disse que fez questão de a fazer a partir do ponto mais ocidental de Portugal dada as características de resistência do povo açoriano, a quem manifestou um "orgulho enorme" por ser um exemplo para o país. Segundo o chefe de Estado, o seu discurso "dito aqui tem uma força muito maior e muito mais profunda".

As suas primeiras palavras foram para os mais carenciados, alvo de exclusão e de discriminação na "escola, na saúde, na comunicação", muitos deles residentes "nos 'portugais' cá dentro que menos têm, que menos fixam e que menos são sinal de futuro". Para Marcelo, 2020 tem de ser um sinal claro de "esperança".

A pouco mais de um ano de Portugal assumir a presidência rotativa da União Europeia, para a classe política eleita para o Parlamento Europeu, em 2019, e para a Comissão liderada por Ursula von der Leyen, Marcelo desejou que "reforcem a unidade, que evitem adiamentos, que marquem uma posição com peso no mundo, que não hesitem no combate climático, que deem uma resposta vital com os britânicos, que promovam o crescimento e emprego". Em suma, "que saiam das suas torres de marfim para se aproximarem dos europeus", salientou.

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