Política

Marcelo quer as comemorações dos 50 anos de Abril viradas para o futuro

Marcelo quer as comemorações dos 50 anos de Abril viradas para o futuro

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quer que as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril "sejam sementes de futuro e não revivalismo do passado. Que não seja uma reflexão dos mais fortes naquele tempo, mas sim numa vitória da democracia", disse esta quarta-feira no seu discurso que assinalou o arranque das comemorações em Lisboa. Na mesma sessão, o primeiro-ministro António Costa falou das diferentes cores da liberdade, aludindo ao "amarelo e azul" da bandeira da Ucrânia.

Marcelo Rebelo de Sousa usou o seu discurso para prestar homenagem ao passado, ao condecorar 30 militares de abril, e lançar as pontes para o futuro. O presidente da República lembrou que as celebrações começaram esta quarta-feira, dia 23 de março, por terem sido cumpridos 17. 500 dias em democracia, número que supera os 17. 499 dias vividos em ditadura.

"Celebra-se hoje a vitória da democracia sobre a ditadura, com uma Constituição que vingou. A democracia consticionalizada em 1976 superou a de 1933", lembrou o presidente. Além de relembrar o passado, Marcelo fez um apelo ao futuro.

"Portugueses, para que servirá o caminho que se levanta hoje? Celebrar o passado no que merece ser celebrado, nas suas raízes liberais e republicanas. Destacar também aqueles que converteram a pré-história em história: os capitães de Abril. Tudo o que deve ser lembrado, que seja lembrado", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa pede que estas comemorações não sejam usadas para "discussões de vaidade ou para outras coisas que não sirvam os portugueses", mas sejam sobretudo uma passagem de testemunho aos jovens. "Que sejam sementes de futuro e não revivalismo do passado. Que não seja uma reflexão dos mais fortes naquele tempo, mas sim numa vitória da democracia para o futuro."

Para o presidente da República, Abril "não pode ficar na memória contemplativa do passado. Temos de juntar à reflexão o presente e o futuro, para compreendermos as insuficiências da democracia. Ter mais ambição, igualdade e solidariedade."

Liberdade com cores de amarelo e azul

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O primeiro-ministro António Costa usou o seu discurso para enfatizar o ultrapassar dos "17. 499 dias em que vivemos a mais longa ditadura da Europa, durante o século XX, em que a ditadura parecia eterna e a liberdade um mero sonho."

Além de homenagear os Capitães de Abril, o primeiro-ministro reforçou a importância do envolvimento dos jovens nas celebrações. Citando Jorge de Sena, também usou o discurso para estabelecer um paralelo com as cores da liberdade de Abril e a guerra na Ucrânia. "Hoje, são muito mais do que as cores verde e vermelha que lutam pela liberdade. São também amarela e azul."

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, apontou dois desafios aos responsáveis políticos: por um lado, "um esforço criativo para se encontrarem formas de estimular esta participação convencional dos mais jovens"; por outro, encontrar "inspiração nas propostas da sociedade civil, na academia ou nas experiências dos vários países que se deparam com os mesmos desafios". "O futuro de Abril não se faz sem os jovens, cujo típico inconformismo, agora como então, é fundamental para a vida nacional", disse Ferro Rodrigues, lembrando que se celebram amanhã os 60 anos da crise académica de 62.

O que tem a cápsula do tempo?

A pensar no futuro - em concreto no dia 25 de Abril de 2074, ou seja, daqui a 52 anos - a cerimónia ficou marcada por um momento singular: a apresentação da "cápsula do tempo". Nesta pequena estrutura em cortiça foram depositados vários objetos e será apenas aberta quando a democracia atingir 100 anos. Ela será enterrada no Quartel do Carmo.

O compositor Bruno Pernadas depositou nesta cápsula uma partitura do tema que compôs para as celebrações da data, a jovem poetisa Alice Neto de Sousa um manuscrito do poema "Março" que declamou na cerimónia. O coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, colocou a primeira edição do programa do Movimento das Forças Armadas e alguns objetos alusivos ao 25 de Abril.

António Costa colocou na cápsula sementes de cravo, a flor que simboliza a revolução, tal como o presidente da Assembleia da República. Marcelo Rebelo de Sousa juntou a estes objetos uma edição da Constituição e o colar de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, fechando a cápsula.

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