Pandemia

Marcelo sobre a resposta à covid: "Houve erros e atrasos próprios da situação"

Marcelo sobre a resposta à covid: "Houve erros e atrasos próprios da situação"

O Presidente da República disse esta segunda-feira que Portugal nunca deixou de estar em emergência devido à covid-19 e reconheceu as dificuldades no início da pandemia.

Em entrevista à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que Portugal não tinha no início recursos suficientes para fazer face à pandemia, nomeadamente com a falta de testes de diagnóstico da covid-19 e a insuficiência de máscaras para proteção individual.

"Houve atrasos mesmo estando a agir em antecipação", disse o chefe de Estado, que situou o início da segunda vaga na região de Lisboa e Vale do Tejo, durante o verão, onde, frisou, Portugal mostrou ter "maior capacidade de resposta".

Face à proposta do Governo para decretar um estado de emergência, o Presidente da República disse que, desta vez, terá de ser "muito limitado" com "efeitos preventivos", muito diferente do estabelecido nos primeiros três meses da pandemia, em março, abril e maio.

Isto porque, explicou, "há oito meses a economia estava bem, agora não está". "Deu sinais de recuperação mas encontra-se agora numa situação de queda face a janeiro e fevereiro", referiu.

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Ainda assim, Marcelo Rebelo de Sousa recorda que, neste momento, o sistema de saúde tem "mais capacidade, mais conhecimento" e organização, nomeadamente no que diz respeito à possibilidade de se utilizarem camas dos hospitais privados.

Por outro lado, apontou, "a sociedade está mais fatigada". "Está preocupada com salários, com desemprego e não havia essa situação há oito meses", frisou, justificando assim a falta de consenso quanto às novas medidas de saúde pública.

Questionado em relação ao "milagre português" que chegou a ser comentado na primeira vaga da pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que, na altura, "ninguém percebeu" o que foi dito.

"Não houve milagre nenhum. O que houve foi a resistência dos portugueses, do pessoal da saúde, dos autarcas. Era possível contratar mais rapidamente? Porventura. Era possível conseguir mais camas mais rapidamente? Porventura", notou, explicando, contudo, que os cidadãos têm de perceber que "todos os dias apareciam problemas novos".

Por isso, prefere não atirar culpas para o Governo, assumindo a responsabilidade. "Eu estou a assumir a responsabilidade suprema por tudo isto".

Questionado em relação ao que aconteceu, recentemente, na Eslováquia, que está a testar toda a população com recurso a testes rápidos, o chefe de Estado reconheceu que, em Portugal, estes testes "podiam ter vindo mais cedo".

"Mas havia dúvidas quanto à sua eficácia, por isso, sim, houve um atraso de cerca de um mês e meio", notou.

Ainda não foi desta que Marcelo Rebelo de Sousa falou da sua recandidatura a Belém, afirmando apenas que vai convocar eleições ainda antes de anunciar a sua decisão.

"Quem deve convocar as eleições é o Presidente da República, não é o candidato", frisou, acrescentando que, neste momento, a sua prioridade é "tratar da pandemia e não fazer cálculos eleitorais".

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