Pandemia

Marta Temido: "Há maior transmissão da doença" da covid-19 em Portugal

Marta Temido: "Há maior transmissão da doença" da covid-19 em Portugal

A poucos dias do regresso dos alunos às aulas presenciais e de milhares de portugueses ao local de trabalho, todos os cuidados são poucos. A diretora-geral da Saúde e a ministra da Saúde alertam que haverá uma movimentação maior de pessoas e que Portugal tem de se preparar para a alteração da doença na época de outono e inverno.

"Como toda a Europa estamos perante um contexto complexo", começou por dizer Marta Temido, no dia em que se assinalam seis meses do aparecimento dos primeiros casos do novo coronavírus em Portugal. A ministra da Saúde explicou esta quarta-feira em conferência de imprensa que o regresso às aulas presenciais, a gripe sazonal e o habitual crescimento da mortalidade no outono e inverno vão exigir uma proteção acrescida contra a covid-19. "Até haver uma vacina, o esforço parte de cada um de nós", adiantou a governante.

Graça Freitas, por sua vez, referiu que Portugal terá um "desafio pela frente": entre 14 e 17 de setembro, vai haver "uma movimentação de milhares de pessoas" devido à reabertura das escolas e a covid-19 sofrerá necessariamente uma "alteração da epidemiologia".

A diretora-geral da Saúde refere que o único documento que falta agora entregar aos estabelecimentos escolares é um "referencial" que permite atuar perante um caso suspeito, positivo ou um surto do novo coronavírus numa escola. O documento será conhecido dentro de dias. "Já há regras que permitem a reabertura das escolas" - publicadas desde 3 de julho, disse Graça Freitas.

Tanto a responsável pela DGS como a ministra salientaram na conferência de imprensa a importância do regresso às salas de aula, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). "A OMS Europa declarou que as atividades escolares devem ser o mínimo afetadas e interrompidas. É num contexto difícil que vamos trabalhar", refere a governante.

Com 177 surtos ativos no país - 86 estão registados na região Norte - Marta Temido reconhece que "os números da situação epidémica estão a subir desde há uma semana", havendo, por isso, "uma maior transmissão da doença". Contudo, a ministra não adianta se o uso generalizado de máscara no exterior vai mesmo avançar. "Ainda é uma situação muito limitada, há muitos países onde continua a não ser obrigatório [utilização de máscara na rua]".

O regresso das rotinas de milhares de portugueses leva a outra pergunta: quando será permitida a presença de público nas bancadas dos estádios de futebol? Se na cerimónia de sorteio das competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, na passada sexta-feira (28 de agosto), a diretora-geral da Saúde dizia que a questão estava a ser analisada, percebeu-se esta quarta-feira que o retorno não será afinal tão imediato. "Não há tabu contra o futebol, temos de ver como vai correr o início do outono", afirma Graça Freitas.

16 mortos em lar do Montepio no Porto

O registo de 16 óbitos numa residência para idosos do Montepio no Porto apanhou muitos de surpresa. Marta Temido relembrou que os "números são comunicados com transparência" e realçou que o surto no lar ainda está ativo - um novo rastreio está a ser feito na instituição. Dos 29 infetados, 26 estiveram hospitalizados e 16 pessoas morreram (14 faleceram no hospital de Santo António e dois na residência).

Em Portugal, segundo dados da DGS e do Ministério da Saúde, existem 23 lares com surtos ativos de covid-19, 19 na região de Lisboa e Vale do Tejo e quatro no Norte.

Para além dos lares, foram ainda registados cinco casos positivos de covid-19 na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. Dois enfermeiros e três assistentes operacionais estão infetados. "O surto está em investigação", informou a ministra da Saúde.

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