Covid-19

Marta Temido: "Nada nos próximos tempos voltará a ser como antes"

Marta Temido: "Nada nos próximos tempos voltará a ser como antes"

A ministra da Saúde não antecipa (para já) um regresso à normalidade e admite que as previsões são ainda de grande incerteza. A taxa de letalidade nas últimas 24 horas ultrapassou os 3% pela primeira vez.

"O que sabemos neste momento é que as previsões que gostávamos de fazer são uma grande incerteza", disse Marta Temido. Esta quarta-feira, 15 de abril, vai voltar a haver uma reunião com cientistas, matemáticos e epidemiologistas, onde se vão avaliar os números da pandemia em Portugal. Nesse encontro estarão, como habitualmente, o Presidente da República, o primeiro-ministro, a ministra da Saúde, o presidente da Assembleia da República e demais representantes dos partidos políticos.

Marta Temido admite uma vida com restrições, em que o regresso pleno à normalidade não deverá acontecer antes do surgimento de uma vacina para a Covid-19. "Nada nos próximos tempos voltará a ser com antes", disse na conferência de imprensa sobre a evolução da doença em Portugal. Nas últimas 24 horas, o país superou os 3% da taxa de letalidade com um total de 504 mortos. Das 34 mortes registadas num dia, 25 são de doentes com mais de 80 anos.

90 doentes em rede de cuidados continuados

A ministra da Saúde adiantou que das 390 unidades de cuidados continuados em Portugal, 21 espaços registam doentes infetados com a Covid-19, num total de 90 doentes. Há ainda a registar nove óbitos. O cuidado com estas instituições é particularmente redobrado, uma vez que albergam os grupos de maior risco à infeção do novo coronavírus.

Purificação Gandra, coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados, esclareceu na conferência de imprensa que a região Norte mantém-se como aquela que tem mais infetados. As unidades de cuidados continuados de saúde mental e de cuidados pediátricos não têm nenhum caso confirmado.

Portugal foi tarde para a corrida ao material?

Questionado sobre se Portugal devia ter entrado mais cedo na "corrida" pela aquisição de material de proteção, Marta Temido defendeu que o país se preparou desde o "primeiro dia". "Portugal fez a preparação adequada", referiu. A ministra da Saúde esclarece que o Governo quer assegurar que não "haja quebras" nos recursos, tendo em conta o "contexto de escassez global" desses mesmos materiais.

Uma das imagens da corrida mundial ao material pode ser comprovada quase todos os dias. Este domingo, a governante informou que 508 ventiladores ficaram retidos na China. Os equipamentos devem chegar dentro de oito dias a Portugal.

"Não estamos contra ninguém"

A polémica da divulgação de dados pelos delegados de saúde aos autarcas voltou à conferência de imprensa, já depois de este sábado, Marta Temido ter negado a existência de uma proibição. "Nós não estamos contra ninguém", disse a diretora-geral da Saúde.

Graça Freitas quis esclarecer que podem existir "desacertos" na informação e deu um exemplo: uma pessoa pode residir numa localidade e adoecer noutro local. A diretora-geral da Saúde chamou ainda a atenção para não se "infringir as regras de confidencialidade". "A pessoa tem o direito à reserva", explicando a razão pela qual uma localidade com três ou menos casos não aparece no boletim diário da DGS.

De acordo com o boletim diário deste domingo da Direção-Geral de Saúde, há mais 598 casos confirmados de Covid-19 num total de 16 mil e 585 infetados. Nas últimas 24 horas, Portugal registou mais 34 mortes, o que perfaz um total de 504 vítimas mortais. Há ainda 277 recuperados desde o início da pandemia.