Ensino

Matemática vai apostar na estatística e no cálculo mental

Matemática vai apostar na estatística e no cálculo mental

Mais cálculo mental e análise crítica de dados estatísticos, menos "contas em pé", feitas em papel, ou algoritmos; maior compreensão dos processos matemáticos nas rotinas do dia-a-dia e menor memorização - são novas orientações para o ensino da Matemática no Básico que constam da proposta de Aprendizagens Essenciais que ainda terão de ser aprovadas pelo Governo.

A consulta pública das Aprendizagens Essenciais, definidas para os nove anos de escolaridade, já terminou. Falta agora a sua aprovação final pelo Governo. Os documentos que vão passar a ser a única orientação para a disciplina, substituindo programa e metas, devem entrar em vigor no ano letivo de 2022/2023. O JN interpelou o Ministério da Educação que se limitou a sublinhar que "o processo de consulta pública terminou, sendo as fases subsequentes determinadas por este processo e pela integração das sugestões daí decorrentes".

Para a Associação de Professores de Matemática (APM), que ainda está a ultimar o parecer mas sempre criticou o programa de 2012 aprovado pelo anterior ministro Nuno Crato, a proposta em cima da mesa é "positiva", quase um "retomar da normalidade" e do caminho percorrido anteriormente, nomeadamente pelo programa de 2007.

"Basear as aprendizagens na compreensão da Matemática é fundamental, memorizar não resolve nenhum problema e é facilmente esquecido. É preciso acabar com o mito de que é normal a maioria ter negativa a Matemática", defende a presidente da APM, Lurdes Figueiral.

Sem Numeração Romana

A aposta no cálculo mental e na compreensão dos processos leva a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) a criticar a proposta por considerar que "tem múltiplos e graves problemas" como a desvalorização do ensino dos algoritmos e dos números racionais dando maior prevalência ao uso da calculadora e menos às "contas em pé", feitas em papel. Para o presidente da SPM, João Araújo, representa, por isso, uma ameaça de "retrocesso que irá prejudicar o desenvolvimento dos alunos" e recupera modelos "comprovadamente errados". A SPM defende o programa de 2012.

Há temas que são antecipados, outros atrasados ou suprimidos como a Numeração Romana, as Medidas Agrárias, o teorema Fundamental da Trignometria ou algumas medidas de grandeza como o decâmetro, alerta João Araújo. Outra falha, destaca, é a supressão da fórmula resolvente de equações de 2.º grau "apesar de professores e alunos continuarem semanas a preparar o surgimento da fórmula que acabam por não dar". Este é, aliás, um raro ponto de concordância já que a APM também defende que deve manter-se no currículo do Básico, "apesar de não ser um cavalo de batalha. Não é por aí que se aprende mais ou menos", argumenta Lurdes Figueiral.

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