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Rui Rio diz que "qualidade da democracia tem vindo a decair"

Rui Rio diz que "qualidade da democracia tem vindo a decair"

Quatro economistas de renome -Miguel Cadilhe, João Ferreira do Amaral, Rui Rio e Luis Amado - protagonizaram a primeira mesa-redonda da tarde na "Grande Conferência JN Por Portugal" subordinada ao(s) tema(s) "O pais que temos e o pais que precisamos".

Um espaço de debate rico em ideias durante o qual não faltaram propostas para que Portugal saia da estagnação económica em que se encontra há uma década e meia.

Logo a abrir o debate, João Ferreira do Amaral traçou um retrato negro do Portugal de hoje, "um país em decadência" que apresenta dados desanimadores em quase todas as áreas, desde a desertificação do interior ao desemprego galopante entre os jovens.

A solução, advoga o economista, passa por "dotar o país de instrumentos que permitam recuperar a soberania", parcialmente perdida com o Tratado de Lisboa. A saída portuguesa da moeda única permitiria que o pais recuperasse a independência, concluiu.

O mesmo diagnóstico, propostas diferentes. Numa Sala Suggia repleta, Miguel Cadilhe enunciou uma longa lista de medidas que visam reduzir o sobrepeso do Estado. Esse esforço não deve passar, todavia, pelo corte das pensões contributivas, que considera imoral e ilegítimo: "Por que motivo o Estado se mostra disposto a quebrar estes contratos e não admite fazer o mesmo com a dívida pública?"

Adepto confesso da regionalização há longos anos, Cadilhe atribuiu ao centralismo a quota maior de responsabilidades no descontrolo das contas públicas.

Num tom que soou pré-eleitoralista, Rui Rio começou por apelidar de "vergonha nacional" os números da dívida pública, atribuindo as maiores responsabilidades à Banca e aos sucessivos governos.

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"Nem toda a dívida pública é para pagar, mas há uma parte que é para pagar", sublinhou, defendendo uma estratégia de redução da dívida que passa por saldos primários positivos.

O antigo presidente da Câmara do Porto dedicou ainda parte da intervenção sobre o atual regime político, não negando que o mesmo apresenta sinais de desgaste. "É preciso uma reforma. Quarenta e um anos é muito tempo. Ao fim desse tempo, o outro regime caiu de podre", adiantou, reconhecendo que "a qualidade da democracia tem vindo a decair".

Luis Amado - que começou por negar ser candidato à Presidência da República, uma insinuação lançada minutos antes por Miguel Cadilhe - assentiu a sua intervenção na questão europeia. Considerando que "a crise europeia não é económica mas sim geopolitica, de relação entre os povos", Amado adiantou que uma guerra poderá eclodir no espaço europeu dentro de alguns anos se se agudizarem os conflitos entre os povos do Norte e do Sul. A culpa, defendeu, foi da entrada precipitadas das economias do Sul na zona euro.

"Por isso, não podemos reduzir-nos aos nossos limites territoriais", acrescentou.

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