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Médica iraquiana refugiada em Portugal relata drama com cinco anos

Médica iraquiana refugiada em Portugal relata drama com cinco anos

Nadia Saad, que fugiu do Iraque em 2014, durante quatro anos fez voluntariado na Turquia e rumou em 2019 a Portugal onde quer exercer medicina, antecipou esta quinta-feira o drama que irá relatar no Congresso Interculturalidade 4.0.

Promovido pelo Espaço t - Associação para o Apoio à Integração Social, o "Congresso Interculturalidade 4.0. A identidade Individual no Mundo Global" decorre na sexta-feira e terá intervenções, entre outros, do bispo do Porto, Manuel Linda, da Alta Comissária para Migrações, Sónia Pereira, e do Imã da Mesquita Central de Lisboa, David Munir, anunciou a organização.

Convidada para intervir no terceiro painel dedicado ao tema "A Vida é bela, superação e propósito", Nadia Saad Essa Alrifaie falará de um percurso de vida que a fez sair do Iraque à procura de uma vida melhor e do facto de, cinco anos volvidos, ainda não o ter conseguido.

À Lusa, Nadia fez uma síntese da sua intervenção no congresso que vai decorrer em formato online e em que se pretende "celebrar a diversidade cultural e a partilha de costumes e saberes, pensando a interculturalidade e a diversidade cultural como algo primordial para a criação de uma sociedade plural, onde todos/as importam e dela fazem parte", refere a organização.

"Vou falar do meu objetivo, do que gostaria de ser e de ter um dia, da dificuldade que é ser refugiado. Da forma como as pessoas nos olham por chegarmos do outro lado do mundo. O meu objetivo é mudar esse estereótipo de as pessoas pensarem que somos maus. As pessoas têm de ter noção de que se houvesse condições nos nossos países nós teríamos ficado lá a trabalhar. Nós tivemos de sair para procurar um futuro melhor", enfatizou.

E foi, sublinhou, para "procurar uma vida melhor" que acompanhou o marido, tornando-se refugiada em 2014, rumando à Turquia onde se mantiveram durante cinco anos, após o que, ao abrigo de um programa de apoio a refugiados, viajaram para Portugal em 2019.

"No meu país eu exercia medicina, mas na Turquia, dado o estatuto de refugiada, não me foi possível fazê-lo, por isso fiz voluntariado num hospital que ajudava refugiados. Enquanto isso, tentei aprender a falar turco", contou Nádia de uma "vivência difícil" na qual se sentiu "limitada nos movimentos e ambições".

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Uma vez em Portugal, recomeçou o processo para poder exercer medicina, "mas o desconhecimento da língua portuguesa, indispensável para fazer os exames e obter a equivalência", e o "elevado custo dessa formação", sendo que mantém o estatuto de refugiada, são, confessa, obstáculos que "não consegue, para já, ultrapassar".

"Só preciso da equivalência, eu tenho a experiência, fui médica durante quatro anos no meu país", assinalou a cidadã iraquiana atualmente a viver no Porto.

Questionada pela Lusa sobre a sua visão acerca dos conflitos que vão acontecendo pelo mundo e também na região do planeta de onde saiu, o Médio Oriente, Nádia mostrou confiança à condição: "um dia o planeta vai conseguir viver sem guerra, mas só se antes eliminarmos o racismo. Se fizemos como nossa prioridade os direitos das pessoas".

O congresso vai decorrer entre as 9 horas e as 18.30 horas.

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