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Médicos alemães acham que vão precisar de ficar mais tempo em Portugal

Médicos alemães acham que vão precisar de ficar mais tempo em Portugal

Coronel que chefia equipa germânica no Hospital da Luz diz que "há muita gente para tratar" e acha que três semanas não serão suficientes para ajudar o país na luta contra a covid-19.

Os profissionais de saúde alemães que vieram ajudar Portugal receberam esta segunda-feira o primeiro doente de covid-19, em estado grave. Durante a tarde estavam a ser avaliados mais dois, para darem entrada na unidade de cuidados intensivos que foi instalada no Hospital da Luz em Lisboa.

O coronel e médico, Jens-Peter Evers, que lidera a equipa de 26 profissionais adiantou aos jornalistas que, na sua opinião, serão necessárias mais de três semanas, o tempo em que cada destacamento permanece no nosso país, para ajudar a tratar o maior número de doentes.

"Do ponto de vista pessoal, devemos ficar o maior tempo possível", disse, acrescentando que já deu conta desta opinião ao governo do seu país. A delegação chegou a Portugal a 3 de fevereiro.

O responsável frisou que o número de oito camas naquela unidade, criada para receber os profissionais alemães, foi estipulado pelos dois países. Mas classificou-o como um "primeiro passo", dadas as necessidades atuais em que "há muita gente para tratar" e que "cada vida conta".

O médico sublinhou ainda que esta iniciativa, mais do que um gesto de amizade entre países da União Europeia, é uma colaboração de profissionais e que espera também "aprender muito" com a experiência.

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Primeiro doente veio do Garcia de Orta

De acordo com João Gouveia, coordenador da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva, que avalia a transferência de doentes entre hospitais, o primeiro doente internado naquela unidade foi transferido do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Sobre os doentes em avaliação, "para ver qual deles poderá vir", pois nem todos podem ser transportados, um é do Hospital de Cascais e outro do Barreiro. O responsável explicou que os doentes vão chegar pouco a pouco ao Hospital da Luz, porque "não podemos, de repente, afogar o sistema, porque senão ele não funciona".

O especialista português em medicina intensiva afirmou que em princípio os doentes tratados pela equipa alemã serão encaminhados dos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo que atualmente estão sob maior pressão, além do Garcia de Orta, mais concretamente o hospital de Cascais, o Fernado Fonseca (Amadora-Sintra), e o Beatriz Ângelo (Loures).

Por videochamada da unidade de cuidados intensivos, a tenente-coronel Katrin Thinnes, contou que o doente apresenta uma "pneumonia grave", está a ser ventilado, e deverá ter de ficar internado "nas próximas semanas".

A médica explicou que a comunicação com os colegas portugueses é feita em inglês e que tem corrido bem, mas que também recorrem à ajuda de "amigos portugueses" para ajudarem a traduzir do alemão quando é necessário.

A equipa é composta por oito médicos especialistas em cuidados intensivos e 18 enfermeiros com a mesma especialidade.

Rede perto do limite

Segundo João Gouveia, a abertura recente de mais 200 camas de cuidados intensivos, deixou quase a capacidade nacional no limite. Atualmente existem 1250 camas no Serviço Nacional de Saúde.

Ainda há espaço para se abrirem mais algumas, mas não muitas. Por um lado por falta de espaço, mas, principalmente, porque não há mais recursos humanos disponíveis, como médicos intensivistas e enfermeiros.

O especialista assumiu que só vai "respirar de alívio" quando "tivermos menos de três mil novos casos à quarta e à quinta-feira", durante duas a três semanas, a taxa de transmissão (Rt) ser inferior a 0,7 e estarem menos de 270 doentes com covid-19 nos cuidados intensivos.

Para dar "resposta a nível nacional à doença covid-19 e à doença não covid", pois, considerou, a falta de resposta às restantes doenças é "uma fatura que vamos pagar mais tarde".

Questionado sobre as ofertas de ajuda de outros países, como as feitas pela Áustria e por Espanha, João Gouveia agradeceu a oferta, alegando que serão "estudadas todas as hipóteses para o caso de serem necessárias". No entanto, "o foco" dos responsáveis portugueses está na expansão da medicina intensiva e em baixar os números dos contágios e dos internamentos.

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