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Médicos anunciam greve geral para o final de novembro

Médicos anunciam greve geral para o final de novembro

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) anunciaram uma greve geral nos dias 23, 24 e 25 de novembro, véspera da votação final global do Orçamento de Estado (OE) para 2022.

Em causa, segundo os líderes sindicais, está a situação do Serviço Nacional de Saúde e as propostas do OE para o setor. Os sindicatos esperam ser recebidos, entretanto, pela ministra da Saúde, apesar de nunca o terem sido nestes dois anos de Governo.

Recorde-se que também os sete sindicatos de enfermeiros têm uma greve anunciada para o final de novembro e os técnicos do INEM param já no dia 22.

"Esta greve tem como objetivo exigir o financiamento do SNS. Temos de passar das palavras aos atos. Os médicos, que o ano passado deram oito milhões de horas extra ao SNS, não conseguem aguentar mais. Fazemos isto de coração apertado, porque sabemos que podemos prejudicar os nossos utentes, mas está nas mãos do Governo evitar. A bem do SNS, é o momento, depois da vacinação e do controlo da pandemia, de dizer basta", assegurou o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, em Coimbra.

Problemas vêm de longe

Para o presidente da FNAM, Noel Carrilho, os problemas do SNS estão identificados e são anteriores à pandemia de covid-19. "Começamos pela necessidade de adequar as condições de trabalho à responsabilidade dos seus profissionais e ao seu desgaste. É preciso uma negociação séria de um acordo coletivo de trabalho que traga a profissão para o século XXI", aponta, completando que o que está previsto no OE para 2022 "é de tal modo insuficiente que mal merece a nossa consideração".

A decisão de avançar para a greve foi tomada esta quarta-feira, ao fim da tarde, numa reunião entre as duas plataformas sindicais em Coimbra. A última greve médica aconteceu em janeiro de 2020, inserida numa greve geral da função pública, e em 2 e 3 de julho de 2019 houve outra.

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Os dois sindicatos lamentam que, desde a tomada de posse do atual Governo, em outubro de 2019, não tenham sido recebidos pela ministra da Saúde, Marta Temido, esperando ser até ao final de novembro.

"O prazo é mais do que suficiente. Desde que esta ministra tomou posse, os sindicatos médicos nunca foram recebidos. Não tem havido qualquer diálogo, quebrou-se uma tradição e uma prática", lamenta Noel Carrilho. Roque da Cunha garante que os médicos não são parte do problema, mas sim da solução.

"Os sindicatos já assinaram 36 acordos com várias instituições, temos sido parte da solução, para que o SNS não se afunde. Não estou a ser catastrofista mas, se nada for feito em termos de investimento para fixar os médicos no SNS, para criar condições para se sentirem confortáveis, para que existam meios e equipamentos, é impossível estar numa situação destas", acusa.

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