Saúde

Medidas do Governo nas urgências são "pontuais" e "avulsas"

Medidas do Governo nas urgências são "pontuais" e "avulsas"

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) foram ontem ouvidos na Comissão Parlamentar da Saúde, na Assembleia da República, e deixaram críticas à gestão doSNS e às medidas adotadas pelo Governo para tentar estabilizar as urgências dos hospitais. É preciso mais intervenção em diferentes áreas e garantir a sustentabilidade do SNS, defendem

O diploma aprovado anteontem pelo Governo prevê um regime remuneratório para as horas extraordinárias que vai desde os 50 euros a partir das 51 horas até às 100 e pode chegar aos 70 euros a partir das 151 horas extra. A FNAM "não pode estar de acordo com estas medidas, que são pontuais e avulsas", atirou o presidente Noel Carrilho.
Reconhecendo algumas "melhorias" no diploma, por não ser tão discriminatório para os médicos que fazem horas extraordinárias, o presidente da FNAM afirmou que "continua a ser discriminatório em relação a tudo o resto", que não é valorizado. "O SNS não é só serviço de urgência", concretizou, alertando que os médicos que estão a ser afetos às urgências desfalcam outros serviços.

Já o SIM, na voz de Jorge Roque da Cunha, secretário-geral, confessou ter receio que alguns conselhos de administração (CA) não cumpram as orientações do Governo e instou o Executivo a emitir "uma orientação para os seus subordinados" [referindo-se aos presidentes dos CA] para que estes cumpram aquilo que "o Governo anuncia", disse.

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Jorge Roque da Cunha pediu "boa fé" nas negociações com o Governo para melhorar as fragilidades do SNS e, assim, atingir a "paz social". O médico viu como "um sinal positivo" o pagamento das horas extraordinárias dos profissionais de saúde, mas lembrou que se trata de um "detalhe". Falta "tudo o resto", disse. Há necessidade de investimento em instalações, falta de incentivos para a formação e fixação de médicos, dificuldades na progressão das carreiras, perda de poder de compra e baixos salários na classe médicos - que classificou como insustentáveis.

Noel Carrilho insistiu que o SNS está "depauperado" e é um problema "indisfarçável", criticando a gestão do Governo.

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