Covid-19

Medidas mais duras? É preciso perceber a velocidade do contágio

Medidas mais duras? É preciso perceber a velocidade do contágio

Em poucos dias a taxa de transmissão da pandemia (R) aumentou de 1, 11 para 1,20, adiantou o epidemiologista Manuel Carmo Gomes. No seu entender, as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro são as possíveis, enquanto não se souber a que velocidade a pandemia vai avançar.

Os números de novas infeções de quarta e desta quinta-feira, que rondam as dez mil infeções, valor inédito no país, é que estão a permitir aos investigadores perceber qual a real dimensão da pandemia desde o Natal.

Por isso, na opinião do epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que faz parte do painel de peritos ouvidos pelo Governo, se o primeiro-ministro, António Costa, tivesse anunciado medidas mais restritivas, a partir de sexta-feira, estaria a fazê-lo "às escuras". "Penso que, para já, é o que se devia ter feito", disse ao JN.

"O senhor primeiro-ministro tomou as medidas que lhe pareceu que podia e devia tomar já: manter o rumo de recomendações em relação aos concelhos de acordo com o nível de risco em que estão", sublinhou, acrescentando que só nos próximos dias, "se saberá se é necessário tomar medidas mais duras ou não". Recorde-se que, tal como António Costa explicou na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, haverá nova reunião no dia 12 com os especialistas no Infarmed, admitindo o primeiro-ministro adotar novas medidas nesse mesmo dia.

Natal atrasou diagnósticos

De acordo com o investigador, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, desde o Natal "que não temos tido números reais do que se passa com a epidemia". "Tivemos uma série de dias com três, quatro, mil casos. Sabíamos que não eram números reais", explicou.

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"Os laboratórios estiveram fechados praticamente uma semana. Portanto não era possível conhecer a situação real", revelou, adiantando que as previsões para o crescimento das infeções apontavam para os primeiros dias da semana natalícia (18 e 19 de dezembro).

O mesmo se passa com os dados mais recentes que, no seu entender "estão acima daquilo que deverá ser a situação real". "Estimamos que o verdadeiro número de casos médio ande à volta dos 6.500, 7000" infeções por dia.

"Mas, uma coisa já percebemos. É que aumentámos muito. Conseguimos até medir o aumento do R (taxa de transmissão). Hoje estamos com 1,20, quando há quatro ou cinco dias estávamos com 1,11", prosseguiu.

A partir daqui, os investigadores vão "reconstruir o que aconteceu" e "tentar medir a velocidade com que estamos a aumentar". Porque só desta forma é que, segundo o especialista, se consegue "prever o futuro que aí vem".

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