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Medina com 24 pontos de vantagem sobre Moedas em Lisboa

Medina com 24 pontos de vantagem sobre Moedas em Lisboa

Socialista teria 51% nas eleições para a Câmara. Social-democrata fica-se pelos 27%. Comunista João Ferreira em terceiro, com 9%.

Fernando Medina está à beira de conquistar a maioria absoluta na Câmara de Lisboa. Quando faltam quatro semanas para as eleições, o autarca socialista chega aos 51%, quase o dobro da projeção do social-democrata Carlos Moedas (27%), de acordo com uma sondagem da Aximage para o JN, DN, e TSF. O comunista João Ferreira surge destacado no terceiro lugar (9%). Seguem-se Beatriz Gomes Dias, do BE (4%), Nuno Graciano, do Chega (2%), e Bruno Horta Leal, do Iniciativa Liberal (2%). Os restantes cinco candidatos não conseguem mais do que escassas décimas.

É grande o fosso, neste mês de agosto, entre primeiro e segundo classificados: 24 pontos percentuais. O atual presidente somaria mais nove pontos do que aquilo que obteve nas eleições de 2017; o antigo comissário europeu e líder da coligação de centro-direita na capital teria menos cinco pontos do que a soma das candidatas do CDS e do PSD há quatro anos. Acresce que os outros dois partidos à Direita (liberais e radicais) somam apenas quatro pontos, o que faz que com o conjunto da Direita esteja a valer apenas 31 pontos percentuais (os três partidos mais à Esquerda somam 64 pontos).

A INCERTEZA DOS INDECISOS

Há no entanto um fator de incerteza que pode ser decisivo. O número de indecisos era muito elevado durante o período em que decorreu o trabalho de campo da sondagem (14 a 21 de agosto): 28% dos lisboetas que pretendiam votar ainda não tinham decidido em quem. Uma proporção suficiente para baralhar as contas de uma maioria absoluta, mas talvez insuficiente para roubar a vitória a Fernando Medina. Tendo em conta a intenção direta de voto (sem distribuição de indecisos), e para poder sonhar com a presidência, Carlos Moedas não só teria de garantir dois terços dos indecisos, como conseguir que nenhum deles se juntasse a Medina (o social-democrata está a 18 pontos do socialista na intenção direta de voto).

Acresce que há outros indicadores na sondagem (que não se limitou a tentar antecipar resultados eleitorais) que apontam para uma vantagem relativamente folgada de Fernando Medina (tenha ou não maioria absoluta). Recordem-se alguns dos dados que adiantámos no sábado: 67% dos lisboetas admitiam votar no atual presidente (potencial de voto); 42% davam-lhe nota positiva (apenas 23% de negativas); 48% estão satisfeitos com a situação do município; e 54% até acham que a cidade está melhor do que há cinco anos.

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A estes resultados juntam-se ainda mais alguns indicadores que apresentamos hoje. Um deles é a dinâmica de vitória, que mostra que dois terços dos inquiridos (66%) estão convencidos de que será Fernando Medina a vencer, a 26 de setembro, incluindo mais de metade dos que pretendem votar em Carlos Moedas (53%). Outro mostra a vantagem significativa do socialista face ao social-democrata em alguns atributos pessoais, em particular a "competência" (18 pontos de diferença), que os eleitores consideram ser a característica mais importante num presidente de Câmara. E, finalmente, fica 19 pontos à frente quando se pergunta quem seria o melhor presidente para Lisboa.

COMUNISTA EM TERCEIRO

Olhando mais para baixo, parece também decidido quem ficará em terceiro lugar: o "veterano" comunista João Ferreira está com 9% de intenções de voto, praticamente o mesmo resultado de há quatro anos, o que permitiria à CDU manter os seus dois lugares no Executivo. As notícias são piores para o Bloco de Esquerda: a deputada Beatriz Gomes Dias ficaria três pontos abaixo do que conseguiu Ricardo Robles em 2017, o que, a confirmar-se nas urnas, significaria a perda do único lugar do partido na vereação, provavelmente a favor dos socialistas.

Os três candidatos seguintes - Nuno Graciano (Chega), Manuela Gonzaga (PAN) e Bruno Horta Soares (Iniciativa Liberal) - não passam dos dois pontos percentuais, muito longe ainda de poderem aspirar a fazer a diferença. Os quatro candidatos restantes estão completamente fora do radar dos lisboetas e têm resultados irrelevantes.

28%

O número de indecisos ainda é elevado. Por segmentos, os valores mais altos são nas freguesias de Santa Clara/Lumiar (41%), mas também em Santa Maria Maior/Misericórdia/Santo António/S. Vicente (38%); nas mulheres (30%, mais cinco pontos que os homens); nos que têm 35/49 anos (37%); e nos mais ricos (34%).

Fernando Medina PS/Livre

O atual presidente da Câmara regista, neste mês de agosto, uma projeção de voto de 51%. Se estes números se confirmarem (e faltam ainda quatro semanas de campanha), conseguiria mais nove pontos do que há quatro anos e igualaria o resultado de António Costa, em 2013 (50,91%). Quando se analisam os resultados por freguesias (são 24, mas foram agrupadas em dez conjuntos, de forma a assegurar maior dimensão às amostras), é no grupo de Marvila/Beato que regista os melhores resultados (75%), muito acima de qualquer outro. O seguinte, S. Domingos de Benfica/Campolide, já fica a 16 pontos (59%). O pior resultado do socialista é em Santa Clara/Lumiar (34%), destacando-se também Penha de França/Arroios, por ficar bastante abaixo da média (41%). Relativamente aos grupos etários, confirma-se, como para outros parâmetros, que o apoio cresce à medida que o eleitor envelhece. Mas só fica acima da média (na verdade bastante acima da média) entre os lisboetas que têm 65 ou mais anos (67%). Nos dois primeiros escalões, fica-se pelos 39%. Também nas classes sociais o apoio vai crescendo de forma linear: quanto mais pobre o eleitor, mais votos, conseguindo 86% entre os mais pobres.

Carlos Moedas, PSD/CDS/PPM/MPT/Aliança

O candidato da coligação de centro-direita teria nesta altura 27% dos votos, o que o deixa abaixo dos resultados conjugados de PSD e CDS em 2017 (32%), mas acima da última coligação entre PSD e CDS, em 2013 (22%), liderada por Fernando Seara. O grupo de freguesias de Estrela/Campo de Ourique (39%) é o terreno mais favorável ao ex-comissário europeu, com mais 11 pontos do que três outros conjuntos de freguesias, em que regista 28%: Santa Clara/Lumiar, Alvalade/Avenidas Novas/Areeiro e S. Domingos de Benfica/Campolide. O pior cenário verifica-se em Marvila/Beato (17%), ou seja, onde Medina atinge o topo. O resultado é também mais frágil em Santa Maria Maior/Misericórdia/Santo António/S. Vicente (21%). No que diz respeito à idade dos eleitores, o pior resultado é nos mais velhos (22%), de novo onde Medina atinge o pico; e o melhor entre os lisboetas que têm 35 a 49 anos (31%), onde o socialista atinge o fundo. Nas classes sociais há de novo um espelho entre Moedas e Medina, uma vez que o apoio ao social-democrata vai aumentando à medida que se sobe na escala: parte de escassos 4% nos mais pobres, para chegar aos 37% nos mais ricos (e neste último caso fica a apenas a um ponto do atual presidente).

João Ferreira, CDU

O antigo eurodeputado europeu, que foi também candidato presidencial em janeiro passado, marca 9% e fica praticamente no mesmo patamar que conseguiu há quatro anos, quando encabeçou pela segunda vez a lista comunista à Câmara da capital (9,5%), e de há oito anos, na primeira candidatura (9,85%). As freguesias de Santa Clara/Lumiar (24%) revelam-se o terreno mais favorável, nesta altura, uma vez que nas seguintes, Parque das Nações/Olivais (15%) já tem menos nove pontos. O terreno mais difícil é o de Estrela/Campo de Ourique. No que diz respeito aos grupos etários, está acima da média nos 50 a 64 anos (13%) e um pouco abaixo nos mais velhos (7%). Relativamente às classes sociais, é nos dois extremos da escala que tem mais apoiantes (10%). Para os restantes candidatos não é possível fazer esta análise, uma vez que a sua base estatística é demasiado reduzida.

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