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Medo do contágio leva eleitores a optar por antecipar o voto

Medo do contágio leva eleitores a optar por antecipar o voto

A votação em mobilidade decorreu, este domingo, na generalidade do país, sem grandes filas ou queixas. As expectativas em termos de taxa de adesão são elevadas, uma vez que em concelhos como Porto e Lisboa rondaram os 90%.

Num ano, a mudança da água para o vinho. Com mais um terço de eleitores inscritos, o voto em mobilidade para as legislativas decorreu sem grandes filas ou tempos de espera, ao contrário do que sucedeu nas presidenciais. Só a meio da semana será possível saber a taxa de participação. Mas casos como Lisboa (votaram 36 mil dos 38 mil inscritos) e Porto (votaram 15 mil de 16 mil inscritos) levam a crer que tenha sido elevada. Muitos dos 315.785 eleitores que pediram mobilidade fizeram-no devido à pandemia.

Apesar de a votação ter decorrido este domingo, só a meio da semana o Ministério da Administração Interna conta ter dados sobre a taxa de participação, uma vez que terão que ser remetidos pelas câmaras municipais. Mas as expectativas são altas, tudo levando a crer que, no mínimo, tenha sido idêntica à das presidenciais, em que votaram 83% dos 246 922 inscritos.

Este domingo, vários políticos já votaram, como o líder do PS, António Costa; o dirigente do PCP João Oliveira; o candidato do Livre, Rui Tavares; e o presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues. Nenhum com longas filas ou elevada demora, como a maioria dos eleitores.

"Quando ouvi nas notícias que as pessoas que estão em confinamento podem sair de casa para votar, decidi vir", conta Maria João Neto, uma professora de 55 anos que votou em Leiria.

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"Se é um problema de saúde pública e estão em confinamento para não infetarem outras pessoas, não deviam vir para aqui", acrescenta. Além disso, defende que devia ser exigido um teste para se poder votar. "Se estivesse infetado, não vinha votar", assegura Samuel Sousa. "Já houve eleições em que não votei por estar em isolamento", reforça a mulher, Rita Silva.

No Porto, foi um Pavilhão Rosa Mota sem filas que recebeu o líder do PS para votar. Uma situação que se manteve ao longo do dia. Depois de cumprimentado pelo autarca Rui Moreira, que também foi votar, o líder do PS colocou o voto na urna em poucos minutos.

"Fico muito feliz. É uma pessoa por quem tenho grande estima e amizade", afirmou Costa, nos jardins do Palácio de Cristal. Já Rui Moreira disse que, além de exercido o direito ao voto, aproveitou para "cumprimentar um amigo".

Na Cidade Universitária de Lisboa, a organização recebeu rasgados elogios. Jorge Nunes votou hoje porque ele e a mulher têm "assuntos para fazer no dia das eleições". Jorge Vaz de Carvalho pensou que as filas seriam menores. "Foi pensar, pelos vistos erradamente, que teria menos pessoas do que no dia 30", justificou, embora tenha ressalvado: "Está muito bem organizado. Foi muito fácil".

Os elogios dos eleitores levaram Carlos Moedas a ir ao local agradecer aos funcionários, num dia em que votaram 36 mil dos 38 mil inscritos. O autarca lisboeta criticou, contudo, o Governo por ter enviado tardiamente a informação. "Se não anteciparmos e planearmos bem, as coisas não acontecem. Para sermos executores temos que ter a informação atempadamente", disse Moedas.

Em Viseu, não se esperou mais de 15 minutos. Vasco Castro Melo, de 18 anos, que votou pela primeira vez, até demorou cinco minutos. "Vim para evitar mais confusão e até por causa da covid", disse ao JN.

Também João Silva, de 32 anos, aproveitou a oportunidade para fugir às "confusões" do dia 30 e para se proteger mais da covid-19.

Em Castelo Branco, das 11 mesas de voto instaladas na cidade, as duas colocadas na Câmara foram as que registaram maior afluência. A maioria eram cidadãos recenseados fora do concelho, como estudantes do ensino superior e votaram "sobretudo ao final da manhã". Castelo Branco foi o distrito do interior com mais inscritos (5865 eleitores).

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