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Melo pode ganhar liderança mas não tem o CDS-PP na mão

Melo pode ganhar liderança mas não tem o CDS-PP na mão

Nuno Melo até pode torna-se, no congresso de 2 e 3 de abril, no próximo líder do CDS-PP. Mas não é seguro que saia de Guimarães com todo o partido na sua mão. É que os apoiantes do atual presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, entregaram uma moção e vão concorrer aos órgãos nacionais do partido.

O atual presidente do CDS/PP, Francisco Rodrigues dos Santos, vai cumprir o que prometeu e, no congresso de 2 e 3 de abril, em Guimarães, vai deixar a liderança do partido, sem repetir uma candidatura. Mas isso não quer dizer que Nuno Melo, visto como o candidato mais bem posicionado para ser o seu sucessor, fique com o CDS-PP totalmente nas suas mãos.

É que, mesmo com a saída de Francisco Rodrigues dos Santos, Nuno Melo vai ter que medir forças com o seus apoiantes, que apresentaram uma moção de estratégia global e tencionam submeter listas aos órgãos nacionais do partido, como a Comissão Política Nacional e o Conselho Nacional. Ou seja, Nuno Melo pode tornar-se no próximo líder dos centristas mas ficar em minoria nos órgãos nacionais.

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O primeiro braço de ferro será com o debate da estratégia que o CDS-PP deve de seguir e com a análise do que correu mal para que o partido chegasse ao ponto de perder a representação parlamentar.

Nuno Melo tem vindo obviamente a responsabilizar a atual liderança, nomeadamente pela forma como foram feitas as coligações com o PSD. Na sua moção promete atrair figuras independentes, pretende trabalhar novas agendas como as questões ambientais, sem esquecer os temas clássicos do CDS-PP. Com isso, o eurodeputado conta manter a representatividade no Parlamento Europeu e regressar à Assembleia da República.

Os apoiantes de Francisco Rodrigues dos Santos não encontram, porém, qualquer problema na estratégia e na ideologia que saiu vencedora do congresso de há dois anos. "O CDS é um partido doutrinário não é um partido de ideologia", vinca Miguel Barbosa, coordenador da moção "Pelas mesmas razões de sempre", subscrita por 11 dirigentes distritais do partido: Aveiro, Porto, Vila Real, Coimbra, Évora, Viana do Castelo, Santarém, Setúbal, Leiria, Beja e Bragança.

"Num partido doutrinário, as pessoas são o fim e as políticas o meio. Num partido de ideologia, como a IL e o Chega, as políticas são o fim e as pessoas o meio", acrescenta Miguel Barbosa, considerando que o CDS-PP deve manter-se como um "partido claramente de direta conservadora democrática, liberal, que não amplia protestos e tem uma profunda consciência social". "Um partido doutrinário, que tem uma agenda com as prioridades bem definidas, um partido virado para as pessoas, com a família como um segundo pilar muito vincado e num terceiro pilar um Estado forte, com dimensão reduzida e instituições respeitáveis", especifica ainda o coordenador da moção.

Entre os subscritores da referida moção, há a convicção de que o partido não se perdeu nos seus valores. A responsabilidade do desaire eleitoral, acreditam, deve-se aos críticos que, desde a primeira hora, criaram "um ruído insuportável", um "lamentável a permanente espetáculo mediático de contestação interna". "O risco foi mal medido", crê Miguel Barbosa.

"O fogo amigo também mata. O clima de instabilidade, criado ao longo dos dois últimos anos, de forma permanente, profissional e em regime de dedicação exclusiva, teve as suas inevitáveis consequências", considera-se na moção "Pelas mesmas razões de sempre", onde se considera que "para ter futuro, o CDS terá que aprender a ser maior do que os seus conflitos internos".

"Nuno Melo prometeu listas pacificadoras mas a verdade é que ainda não contactou ninguém", apontam, porém, alguns apoiantes de Francisco Rodrigues dos Santos.

Por isso, para garantir que têm espaço definido no partido, os apoiantes da moção afecta a Francisco Rodrigues dos Santos admitem apresentar listas a órgãos como a Comissão Política Nacional e o Conselho Nacional, o que obrigará Nuno Melo a um esforço adicional para garanti que não só ganha a liderança como a maioria do partido.

Na corrida estão ainda Miguel Mattos Chaves e Nuno Correia da Silva, que já apresentaram publicamente a sua candidatura a um congresso que promete ficar marcado ainda pelo regresso do ex-líder Manuel Monteiro, que já se inscreveu para participar e promete discursar. Em discussão vai estar um total de dez moções de estratégia global.

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