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Mendes ataca proposta da "troika" para autarquias e adia regiões

Mendes ataca proposta da "troika" para autarquias e adia regiões

Marques Mendes lançou, esta quinta-feira à tarde, duras críticas ao memorando de entendimento para a ajuda externa ao rejeitar um corte no número de autarquias "por razões financeiras", e disse que "nem tudo o que vem de fora é melhor". Quanto à regionalização, o ex-líder do PSD defendeu, no Porto, que "este não é o tempo de retalhar o país" e criar mais "clientelas".

Numa conferência sobre reorganização administrativa, promovida pelo JN, TSF e Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, Marques Mendes afirmou, a propósito da extinção significativa de municípios e freguesias prevista no acordo com a "troika", recear que "este debate esteja a começar de forma enviesada" porque, numa matéria que considera ser "quase de soberania, um debate imposto por entidades internacionais não parece ser o melhor caminho".

O antigo líder social-democrata e gestor explica que o corte imposto "é suportado em razões financeiras" quando devia basear-se em "razões de eficiência" e "demográficas". "Reduzir câmaras e freguesias por razões financeiras pode ser uma atitude ridícula", alertou, comparando os respectivos ganhos com o que custam os conselhos de administração das empresas públicas.

Convulsão social

Além disso, avisou que se avançarmos "pelo caminho da imposição e da força, podemos ter convulsão social a mais em troca de nada e em benefício de coisa nenhuma". E inviabilizar o consenso necessário.

"Mais importante" diz ser "ganhar escala" para aumentar a competitividade, criar "associações de municípios e condições para investimentos de carácter supra-municipal", assim como dar meios às áreas metropolitanas para intervir. Mas esta não é uma agenda "tão mediática" como a da Troika.

Num ataque ao memorando, Marques Mendes argumenta que "nem tudo o que vem de lá de fora é melhor" ou "mais credível". E "também cá dentro" existe "engenho, arte" e "credibilidade para fazer o que deve ser feito".

Sobre a regionalização, afirmou que "não é o tempo de retalhar o país e de o dividir em regiões". Nem é tempo de criar "mais órgãos de Estado", "mais estruturas", "mais clientelas, cargos políticos, gorduras e mordomia a viver à mesa do Orçamento".

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