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Menores com livre acesso a álcool no hotel de Torremolinos

Menores com livre acesso a álcool no hotel de Torremolinos

Hotel só travou bebidas após desacatos ficarem fora de controlo. Acesso ao álcool foi ilimitado.

Os jovens portugueses expulsos do Hotel Pueblo Camino Real, em Torremolinos, no sábado, tiveram via verde para o álcool durante os dias em que ali estiveram alojados. Apesar de terem uma bracelete a identificar a sua menoridade, os alunos não tiveram qualquer travão junto do bar da unidade hoteleira, até porque isso fazia parte do pacote vendido pela promotora Slide in Travel. Para a agência líder do mercado das viagens de finalistas, a Sporjovem, "vender bar aberto a jovens, dos quais 80% têm menos de 17 anos, é uma inconsciência".

O JN apurou junto de vários alunos que, à chegada ao hotel, há uma semana, foram-lhes colocados dois tipos de braceletes: umas para maiores de 18 anos e outras para menores. A identificação serviria para limitar o acesso ao bar, já que a venda de álcool é interdita a menores de 18 anos em Espanha. Mas tudo não passou de um pró-forma para "português ver".

"Não senti qualquer problema no acesso às bebidas. Havia flexibilidade da parte deles [hotel]", confessou, ao JN, Eduardo, de 17 anos, um dos alunos de Matosinhos que ali rumaram. Uma versão confirmada por João Romano, também de 17 anos: "Não levantavam problemas. Só que, a partir de um momento, não nos deram mais nada, porque teria havido problemas num quarto, onde alguém incendiou uma cortina".

Durante dois dias, o bar terá sido fechado, quando a situação já parecia estar descontrolada, transmitiu ao JN fonte do comando regional da Polícia de Málaga, que abriu uma investigação aos estragos causados pelos portugueses no hotel. A mesma fonte garantiu que a Polícia foi chamada, numa tarde, à unidade hoteleira, para travar a atuação do DJ contratado pela Slide In, já que, além do som alto, o artista não tinha qualquer licença.

Segunda-feira, após o Governo ter dito que está a acompanhar este caso que envolve mais de 1100 alunos, a promotora avançou com duas queixas contra o hotel, pela apropriação de 35 mil dos 50 mil euros em cauções. Mais tarde, a Slide In - de quem o JN não conseguiu obter esclarecimentos, apesar das várias tentativas - garantiu aos alunos que cada um iria reaver 11 euros, dos 50 entregues.

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"Tudo isto é lamentável. Esta agência, e mais duas ou três que estão no mercado, inclui o acesso livre a álcool por menores. Um sinal dos efeitos dessas práticas é que todos os anos eles mudam os destinos, porque há sempre confusão. Não sabem trabalhar", acusa Orlando Pinto, da Sporjovem, a agência líder do mercado há 27 anos, que transporta cerca de 7500 alunos anualmente.

"Eles prometem a presença de DJ que sabemos que não podem aparecer, como é o caso da Deborah de Luca. Há expectativas furadas com animação que não acontece. O que é estavam à espera que acontecesse?", questiona.

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