O Jogo ao Vivo

Relatório

Menos de 40% dos estudantes terminam a licenciatura em três anos

Menos de 40% dos estudantes terminam a licenciatura em três anos

Em Portugal, apenas 38% dos estudantes completa a licenciatura em três anos. A maioria (72%) precisa até mais três anos para concluir o curso, revela o relatório "Education at a Glance 2022", divulgado esta segunda-feira em Paris. Quase 50% dos jovens adultos (dos 25 aos 34 anos) têm formação superior mas ainda há 17% sem o Secundário.

"O Ensino Superior em Portugal está largamente orientado para as necessidades dos grupos etários tradicionais de estudantes", lê-se no relatório "Education at a Glance 2022". O envelhecimento da população e consequente diminuição do número de jovens "é uma pressão" sobre as instituições, que devem ajustar a sua oferta para incentivar os adultos a requalificarem-se, recomenda a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). "Permitir que os estudantes se matriculem em tempo parcial é outra maneira importante de facilitar o acesso ao Ensino Superior", frisa o relatório, sublinhando que em Portugal só 5% dos estudantes frequentam horário pós-laboral, quando a média da OCDE é de 22%.

A percentagem de jovens entre os 25 e 34 anos licenciados aumentou exponencialmente nos últimos 20 anos e de forma mais rápida e acentuada em Portugal - de 13%, em 2000, para 47% em 2020. A licenciatura tornou-se o grau mais comum entre os jovens adultos, apesar de persistirem 17% (sendo a média da OCDE de 14%) sem o Secundário.

PUB

Há menos diplomados no desemprego e quem tem formação superior também ganha mais. Em média, na OCDE, os profissionais entre os 25 e 64 anos ganham cerca do dobro de quem não concluiu o Secundário. Em Portugal, em 2020, a diferença era "mais do dobro". E a área com salários mais elevados era Tecnologias de Informação e Comunicação, frisa o relatório. Apesar de 98% dos diplomados em TIC terem emprego, a área só é procurada por 3% dos novos estudantes. Metade da média da OCDE (6%).

Os cursos em Ensino são outra oferta pouco procurada - apenas por 4% dos alunos (também abaixo da média da OCDE de 6%). O que, acumulado ao envelhecimento da classe docente, "levanta preocupações sobre a falta de professores no futuro próximo em Portugal", alerta a OCDE.

OCDE recomenda que sejam escolas a recrutar

Entre 2015 e 2021, os salários dos professores do Básico e Secundário aumentaram 3%, metade da subida média de 6% registada entre os países da OCDE.

A classe docente portuguesa é das mais qualificadas: 88% dos docentes entre os 25 e 64 anos têm mestrado, sendo esse o grau (mestrado em ensino) exigido como requisito de acesso à profissão. Mas também é das mais envelhecidas: mais de 45% dos docentes têm mais de 50 anos, bem acima da média da OCDE que é de 40%.

O salário é uma forma de atrair mais candidatos à profissão, frisa a OCDE. Em diversos países, os vencimentos aumentam com o nível de ensino lecionado mas em Portugal, do Pré-Escolar ao Secundário, os salários dos professores diferem consoante o tempo de serviço e avaliação, numa carreira de dez escalões. Entre 2015 e 2021, entre os países da OCDE, o salário de um professor do 3.º ciclo, com 15 anos de profissão, aumentou em média 6%. Em Portugal essa subida foi de 3%.

Regra geral na maioria dos países da OCDE, os vencimentos dos docentes são inferiores aos de diplomados de outras áreas. Em Portugal é o oposto, os vencimentos dos docentes são 33% superiores à média de outros profissionais com Ensino Superior. No entanto, frisa a OCDE, essa exceção pode dever-se ao envelhecimento da classe. Muitos estão quase no topo da carreira o que eleva o nível salarial enquanto grupo.

Apesar de Portugal "beneficiar de um corpo docente experiente e bem remunerado", existem poucas formações gratuitas e o número de docentes que faz observação de aulas ou leciona em coadjuvação (mais do que um docente na sala de aula) é reduzido. Assim, recomenda a OCDE, deve ser incentivado o trabalho colaborativo e dada autonomia às escolas para escolherem os professores de acordo com os melhores perfis para os seus projetos educativos. Uma proposta que coincide com a do Governo no âmbito da revisão do regime de concursos mas que é rejeitada por todas as organizações sindicais.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG