Pandemia

Menos três mil doentes referenciados para os IPO em 2020

Menos três mil doentes referenciados para os IPO em 2020

No primeiro ano da pandemia de covid-19 houve menos três mil (-18,6%) doentes referenciados pelos cuidados de saúde primários para os institutos de oncologia, que se seguiu à quebra de 9,9% que já se tinha verificado entre 2018 e 2019.

Os dados constam de um estudo da Entidade Reguladora da Saúde sobre o impacto da pandemia no acesso a cuidados de saúde de oncologia, hoje divulgado, que destaca a quebra de 29,5% na referenciação para o Instituto Português de Oncologia de Lisboa.

Segundo o documento, em 2021 foram referenciados para primeira consulta nos institutos portugueses de oncologia 16.396 utentes, o que corresponde a um aumento de 24,7% relativamente ao primeiro ano da pandemia.

O regulador indica ainda que, em comparação com 2018 e 2019, o número de referenciações no ano passado também registou ligeiros aumentos, com exceção do observado no IPO de Lisboa (4.200 em 2021, 4.616 em 2019 e 4.861 em 2018)

O documento da ERS diz que a diminuição nas referenciações se começou a fazer sentir logo em março de 2020, com os meses de abril e maio a registarem as maiores quedas no número de utentes referenciados. Embora os valores observados nos meses seguintes demonstrem alguma retoma de atividade, a partir de outubro observou-se novo agravamento do indicador, coincidindo com o início da segunda vaga de covid-19 em Portugal.

O documento destaca ainda uma resposta enviada pelo IPO do Porto a um pedido de informação remetido pela ERS em 2020 em que o instituto definiu a redução da referenciação como sendo "a grande limitação atual à expansão da atividade", salientando que, com a diminuição no número de doentes referenciados de outras unidades de saúde neste período da pandemia, seria expectável que, posteriormente, se verificasse um aumento anormal no número de novos doentes referenciados, criando mais pressão sobre os serviços.

O documento explica que 2021 registou um número total de referenciações superior ao observado nos anos anteriores à pandemia, sendo que, a partir de março, o número de utentes referenciados foi em todos os meses superior ao observado em 2020, com destaque para os meses de março, abril e maio.

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Quanto às primeiras consultas, no primeiro ano da pandemia os três institutos de oncologia (Lisboa, Porto e Coimbra) realizaram 107.737 primeiras consultas médicas na presença do utente, o que corresponde a uma diminuição que ronda os 24% face a 2019.

A redução no número de primeiras consultas foi transversal aos três institutos, tendo sido o IPO de Lisboa o que registou a maior quebra (-29%).

Esta diminuição no número de primeiras consultas realizadas em 2020 contrasta com o aumento verificado entre 2018 e 2019 (+2,8%).

Já em 2021 foram realizadas 155.575 primeiras consultas, o que corresponde a um aumento de cerca de 44% face a 2020, um crescimento em linha com a variação observada no número de utentes referenciados. Embora esta variação positiva tenha ocorrido em todos os IPO, o IPO do Porto foi o que registou o maior aumento no número de consultas (+67,3%).

Comparando com os anos anteriores à pandemia, os IPO de Coimbra e de Lisboa mantiveram níveis de atividade inferiores.

O estudo da ERS pretendeu avaliar o impacto da pandemia no acesso a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT) da doença oncológica, entre março de 2020 e dezembro de 2021, designadamente na rede de convenções do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Analisou ainda o impacto no acesso aos rastreios de base populacional de cancros específicos e a cuidados de saúde nos institutos portugueses de oncologia (IPO), ao nível das consultas, cirurgias e tratamentos.

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