Dia do Trabalhador

1.º de Maio no Porto: "Se isto foi mau na pandemia, temos medo que ainda vá ser pior"

1.º de Maio no Porto: "Se isto foi mau na pandemia, temos medo que ainda vá ser pior"

Milhares de pessoas reuniram-se este sábado à tarde na baixa do Porto para exporem suas queixas e pedidos no Dia do Trabalhador.

Pediram horas semanais mais justas, mais direitos que foram perdidos ao longo dos últimos anos, o fim da precariedade e um salário que se adeque às necessidades dos cidadãos que se queixam de não conseguir mais viver uma vida digna e manter as suas casas.

Também foram apresentadas queixas pelo alto número de desempregados, que estão a aumentar, e ouviram-se relatos de que a pandemia prejudicou muitos trabalhadores que agora vivem com mais dificuldade. Outro problema que trouxe a pandemia foi o teletrabalho e este é um motivo de muita indignação por parte dos manifestantes que apontam o dedo e dizem que há uma falta de respeito na relação entre o patrão e o trabalhar nessas condições a distância.

Os jovens marcaram uma forte presença na manifestação, manifestando as suas preocupações em relação ao mercado de trabalho. "Tendo em consideração a situação da pandemia, principalmente para os jovens, está a ser muito difícil entrar para o mercado de trabalho, quando antes já era difícil. Precisamos de uma maior estabilidade e de um contrato de trabalho que não seja temporário" afirmou Luísa Barateiro, de 20 anos.

O movimento Habitação Hoje! estava presente na manifestação, em luta por uma moradia digna e por trabalho digno. Estes denunciavam a exploração dos trabalhadores e como as pessoas se submetem a condições ruins no ambiente de trabalho pela necessidade de continuar a pagar a renda. Outro receio manifestado era sobre o fim dos apoios aos mais vulneráveis, que irão acabar este ano, e como "a precarização do trabalho que está cada vez pior vai levar a piores condições de acesso à habitação. É sempre pior para os mesmos e assim entra-se num ciclo vicioso", dizia Marta, de 25 anos.

PUB

Maria Magalhães, de 72 anos, compartilha da ideia do movimento: os problemas estão em como acabaram os empregos. Muitas empresas estão abrindo falência e as pessoas já não conseguem mais pagar as suas casas: "Não sabemos como vai ser a economia depois, mas estamos a imaginar que os trabalhadores serão muito penalizados. Se isto foi mau agora, estamos com medo que ainda vá ser pior porque tudo o que eram direitos, estão a aproveitar para os retirar. Portanto, as pessoas vêm aqui para reivindicar isso"

O uso de máscara foi uma constante entre os participantes e o distanciamento era sempre relembrado e incentivado pela organização da manifestação que, após uma concentração na Avenida dos Aliados, fez um percurso pela Rua de Santa Catarina, voltando depois para a frente da Câmara do Porto.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG