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Militantes do Chega reforçam poder interno de Ventura

Militantes do Chega reforçam poder interno de Ventura

Os militantes do Chega aprovaram este sábado, em congresso, as alterações aos estatutos do partido que reforçam os poderes do presidente da Direção Nacional, André Ventura. Sozinho, o líder do Chega passa a poder dissolver distritais e tem a última palavra na escolha de todos os candidatos que representem o partido.

A moção estatutária apresentada por André Ventura foi aprovada sem votos contra, com dez abstenções e 439 votos a favor. O documento altera os estatutos do partido para incluir duas alíneas que reforçam os poderes do presidente da Direção.

Na primeira, André Ventura passa a ser responsável por "coordenar a atuação política dos órgãos nacionais, regionais e distritais do partido, apreciar a sua atividade e dissolver o órgão ou exonerar o seu titular". A dissolução deve ocorrer "com respeito pela audiência prévia e a competência jurisdicional em recurso", apenas "em caso de manifesta violação do programa, declaração de princípios ou dos estatutos do partido".

Antes da votação, o secretário-geral do Chega, Tiago Sousa Dias, argumentou que esta dissolução está prevista nos estatutos dos outros partidos e visa impedir que haja membros de concelhias ou distritais a defender ideias diferentes das que constam no programa do Chega: "Se nós permitíssemos que isso acontecesse às tantas poderíamos ter um presidente de uma concelhia a defender, no meio de uma campanha eleitoral, algo mais associado por exemplo ao Bloco de Esquerda ou ao PCP, e nós tínhamos de sofrer as consequências disso durante 15 dias".

A outra alínea alterada prevê que o presidente da Direção passe a "indicar os candidatos em qualquer ato eleitoral em que o partido apresente ou apoie candidatura, bem como indicar os mandatários das respetivas candidaturas". Nos outros partidos, são as estruturas nacionais que validam os candidatos. Agora, no Chega, é André Ventura.

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Tiago Sousa Dias justificou a opção de escolher o presidente do partido, e não a Direção Nacional, com uma questão de legitimidade: "A expressão do voto de todos os militantes do partido é a forma máxima, suprema, de democracia e do Chega. Não há órgão nacional nenhum que esteja tão solidamente a representar os militantes do partido do que o presidente que é eleito por todos".

No final, com a divulgação dos resultados, vários congressistas aplaudiram de pé. A discussão destas alterações estatutárias decorreu sem vozes dissonantes e as únicas intervenções de congressistas foram de caráter técnico.

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