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Ministra da Justiça aceita pedido de demissão da directora do CEJ

Ministra da Justiça aceita pedido de demissão da directora do CEJ

A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, aceitou esta quarta-feira o pedido de demissão da directora do Centro de Estudos Judiciários, Ana Luísa Geraldes, informou o Ministério da Justiça.

A directora do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) anunciou que havia pedido uma reunião de urgência à nova ministra da Justiça, na sequência das notícias sobre um copianço generalizado entre futuros magistrados num teste.

A desembargadora Ana Luísa Geraldes precisou que pediu a reunião "face à torrente de notícias sobre o CEJ que continuam a ser veiculadas e que põem em grave risco a imagem e credibilidade da instituição".

Num comunicado enviado à Lusa ao final da tarde, o ministério da Justiça afirma que "a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, aceitou o pedido de demissão da directora do Centro de Estudos Judiciários, Drª Ana Luísa Geraldes", sem adiantar mais pormenores.

O Conselho Pedagógico do CEJ decidiu na segunda-feira repetir o teste de Investigação Criminal e Gestão de Inquérito e anular a nota 10 atribuída aos alunos, na sequência de um copianço generalizado.

Fonte do Conselho Pedagógico disse na altura à Lusa que foi determinado "manter a anulação da prova, elaborar um novo teste que não será do tipo americano [com cruzes] e instaurar um inquérito para averiguar" o copianço generalizado que levou a direção do CEJ a atribuir nota 10 a 137 alunos, futuros magistrados do Ministério Público e juízes.

O caso ganhou contornos polémicos quando, num despacho de 1 de Junho da directora do CEJ, a que a agência Lusa teve acesso, é revelado que na correcção do teste de Investigação Criminal e Gestão do Inquérito (ICGI) "verificou-se a existência de respostas coincidentes em vários grupos" de alunos da mesma sala.

O documento indica que, em alguns grupos, "a esmagadora maioria dos testes" tinha "muitas respostas parecidas ou mesmo iguais", constatando-se que todos os alunos erraram em certas questões.

No despacho é dito que as perguntas erradas nem eram as mais difíceis do teste, tendo-se verificado também o inverso: numa das questões mais difíceis ninguém falhou.

Realça ainda que há pessoas sentadas umas ao lado das outras que têm "testes exactamente iguais, repetindo entre elas os erros que fizeram".

Perante o copianço da turma, a direcção do CEJ decidiu, em reunião, "anular o teste em causa, atribuindo a todos a classificação final de 10 valores" naquela cadeira da área criminal.

O caso do copianço generalizado motivou críticas de diversos quadrantes do sector da Justiça, desde o ex-ministro Alberto Martins ao procurador-geral da República, Pinto Monteiro, passando pelo bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto.

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