Saúde

Ministro acompanha com "preocupação" demissões nas urgências

Ministro acompanha com "preocupação" demissões nas urgências

O ministro da Saúde afirmou esta quarta-feira que acompanha com preocupação os pedidos de demissão dos chefes de serviço das urgências dos hospitais Garcia de Orta e Fernando Fonseca, na região de Lisboa e Vale do Tejo. Mas garantiu que destas demissões "não resulta nenhuma quebra da cadeia hierárquica". "Ninguém abandonou os cuidados ou responsabilidades", assegurou Manuel Pizarro.

A pressão nos serviços de urgência dos hospitais e as demissões de chefias no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e do Hospital Fernando Fonseca, em Sintra, têm dominado parte da audição da Comissão de Saúde ao ministro.

Os deputados da oposição insistem em perceber como Manuel Pizarro pretende resolver os problemas dos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo que, segundo o ministro, têm 912 mil utentes sem médico de família.

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Na segunda-feira, os chefes de equipa das urgências do Hospital de Almada apresentaram a demissão. Em causa está a escala de dezembro que apresenta vários dias com um número de profissionais abaixo dos mínimos (um ou dois elementos apenas) para garantir o bom funcionamento do serviço.

Na terça-feira foram os chefes e subchefes das equipas da urgência do Hospital Fernando Fonseca (antigo Amadora- Sintra) a apresentarem a demissão, por considerarem estar em causa a qualidade assistencial e a segurança dos utentes.

Em resposta aos deputados, o ministro disse estar a acompanhar "com preocupação" os pedidos de demissão, considerando que são "um sinalizar do incómodo" sentido pelos profissionais. Manuel Pizarro garantiu que das demissões "não resulta nenhuma quebra da cadeia hierárquica". "Ninguém abandonou os cuidados ou responsabilidades", assegurou o ministro.

Sobre a pressão sentida nas urgências ainda antes de o inverno começar, o governante lembrou que, tal como aconteceu no hemisfério sul, este ano os vírus respiratórios entraram em circulação mais cedo.

700 vagas para libertar camas dos hospitais

Para ajudar os hospitais a lidar com a elevada afluência, o ministro anunciou que já foram contratadas 700 vagas com o setor social para libertar camas dos hospitais, que estejam ocupadas com doentes internados por motivos sociais e sem necessidade clínica. São mais 200 vagas do que as anunciadas na semana passada, durante a apresentação do Plano Estratégico do Ministério da Saúde para fazer face ao inverno.

A criação de Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C, que o ministro admitiu, na última audição, estar a ser ponderado para resolver problemas pontuais e de forma transitória nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, voltou ao debate esta quarta-feira.

Previstas na lei desde 2007, as USF-C são, tal como os modelos A e B, equipas constituídas por médicos, enfermeiros e secretários clínicos com autonomia funcional e administrativa que funcionam nos centros de saúde. A diferença das USF-C é que podem ser geridas por cooperativas ou pelos setores privado ou social, o que sempre alimentou discórdia entre esquerda e direita.

Na semana passada, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado 2023, duas propostas do PSD e da Iniciativa Liberal para a criação deste tipo de USF-C foram rejeitadas pela bancada do PS, em conjunto com o PCP, BE, PCP, Livre e PAN.

Mas o "chumbo" não demoveu o ministro da Saúde. Manuel Pizarro voltou a referir, esta terça-feira, que está a ser estudado um plano de contingência para resolver o problema de acesso aos Cuidados de Saúde Primários nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve e nesse contexto está a ser equacionada a criação de USF-C.

O ministro realçou que a solução será sempre para casos pontuais, de forma transitória e supletiva. E notou que não será necessária qualquer alteração legislativa, pois este modelo está previsto na lei.

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