PISA

Ministro: "Precisamos de melhorar em Leitura, Ciências, equidade e coesão"

Ministro: "Precisamos de melhorar em Leitura, Ciências, equidade e coesão"

Portugal é o único país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com uma evolução positiva a Leitura, Matemática e Ciências desde 2000, ainda assim, sublinhou esta terça-feira de manhã, o ministro da Educação ainda há muito caminho a fazer. Cumprir a meta de 10% de abandono em 2020 e reduzir para metade as retenções são prioridades, frisa Tiago Brandão Rodrigues.

Nos relatórios PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) de 2018, divulgado esta manhã, os alunos de 15 anos portugueses tiveram uma média de 492 pontos, o que lhes permite acompanhar a média de resultados entre os 79 sistemas de ensino da OCDE: conseguiram exatamente a mesma classificação a Matemática (492 pontos) que em 2015, baixaram ligeiramente a Leitura (de 498 para 492) e deram uma queda maior a Ciências (de 501 para 492 pontos).

"Precisamos de fazer mais nas Ciências, como precisamos de fazer mais na Leitura, para que possamos contrariar a média da OCDE". "Precisamos de fazer ainda mais e melhor na equidade" e na coesão, defendeu Tiago Brandão Rodrigues, numa sessão de apresentação dos resultados, em Lisboa.

"Precisamos de continuar a trabalhar para promover o sucesso escolar, pois continua a notar-se que os alunos retidos têm resultados muito mais fracos" do que os colegas sem chumbos no percurso, insistiu o ministro. Para Tiago Brandão Rodrigues, as retenções têm "custos anímicos, simbólicos e sociais brutais", além de "um mísero retorno". E, por isso, sublinhou, as prioridades na anterior e atual legislatura são cumprir a meta de 10% de abandono escolar em 2020 e que no próximo ano as taxas de retenção "sejam metade do que eram quando tomámos posse".

"Um sistema orientado para a retenção, um sistema que a concebe como um castigo - com poucas hipóteses de redenção, aliás - será sempre um sistema iníquo", afirmou, insistindo que o problema em Portugal se agrava por as retenções estarem associadas ao contexto socioeconómico dos alunos. São os mais desfavorecidos que chumbam e abandonam o ensino antes do fim da escolaridade obrigatória de 12 anos, alertou.

Ao lado de Alemanha e França

Os resultados de 2018 do PISA colocam o país ao lado de países como França ou Alemanha. O país é um dos setes sistemas de ensino avaliados que tem evolução positiva a Leitura, Matemática e Ciências desde 2000, sendo desse grupo o único membro da OCDE.

Os alunos de 15 anos que fizeram os testes PISA no ano passado, sublinhou o ministro, entraram no 1.º ciclo em 2008/2009. Ou seja, em plena crise económica e de mudanças na política educativa como a revogação do currículo do ensino Básico, a definição de metas curriculares, a suspensão do Plano de Ação para a Matemática ou os cortes no Ciência Viva e Plano Nacional de Leitura.

A descida a Leitura e Ciências, garantiu, preocupam o Governo que por esse motivo vai continuar a apostar no plano de sucesso escolar e "na inovação pedagógica, assente numa lógica de docência mais interativa e menos expositiva".