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Ministro diz que as "asneiras" ambientais de hoje são irreparáveis no futuro 

Ministro diz que as "asneiras" ambientais de hoje são irreparáveis no futuro 

A preservação de recursos é a mais importante das políticas públicas, defendeu, este sábado, o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, numa sessão online da Agência Portuguesa do Ambiente que assinalou o Dia Mundial do Ambiente e os 50 anos da criação do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. "Qualquer asneira feita hoje não é corrigível, porque se gastarmos mais do que temos, não temos forma de o repor".

O tema deste ano do Dia Mundial do Ambiente é precisamente o restauro dos ecossistemas e isso serviu de mote para o governante sublinhar a urgência de proteger a natureza.

Atualmente discutem-se os temas "da mitigação, energia, mobilidade e redução de emissão de gases de estufa", mas esse tema "vai-se transformar no da proteção da biodiversidade e restauro dos ecossistemas", explicou o ministro. Matos Fernandes considera que "esta é a mais estável das políticas", a que dá "mais margem de manobra para opções".

"A preservação do recurso da água, do solo, da biodiversidade, terão de ser sempre o pano de fundo das outras opções, porque são as que nos conseguem garantir futuro com mais certezas", insistiu.

Consumo, construção e agricultura preocupam

Matos Fernandes abriu o debate "Desafios dos próximos 50 anos da política pública de Ambiente" e partilhou preocupações em diversos setores.

"Onde eu sinto ainda que estamos mais enquistados, é na questão da produção e do consumo e a forma como olhamos para as prateleiras dos supermercados", especificou, adiantando que é preciso olhar para toda a cadeia de vida dos produtos e não apenas para os desperdícios no fim da linha.

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Outra grande preocupação prende-se com o setor da construção civil, "uma das áreas que mais recursos consome". "A areia usada para argamassas e betão tem um valor com tantos zeros que nem vale a pena estar aqui a falar dele", aludiu Matos Fernandes, admitindo grande incerteza em relação ao futuro. "Essa é mesmo uma área onde não sei adivinhar como as coisas vão crescer e se vão projetar no futuro".

Onde também há "indefinição grande" é no setor da agricultura. Lançando os olhos pelo planeta, o governante disse que estamos longe de ter uma produção alimentar suficientemente bem distribuída e, com o crescimento mundial, a "pressão sobre o solo vai ser ainda mais intolerável do que é hoje".

A questão do ambiente não pode ser dissociada da economia. No futuro, assegura o ministro, o ambiente terá de ser a "força de transformação de uma economia que vai ter de continuar a crescer", para gerar "bem-estar".

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