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Ministro diz que cancelamentos da TAP estão "abaixo da média"

Ministro diz que cancelamentos da TAP estão "abaixo da média"

Pedro Nuno Santos está, esta quarta-feira, a explicar, no Parlamento, os problemas com cancelamentos e atrasos no Aeroporto de Lisboa.

O ministro das Infraestruturas e Habitação explicou, esta quarta-feira, no Parlamento, que a média de cancelamentos no aeroporto de Lisboa entre 1 e 07 de julho foi de 4,5%, sendo que a da TAP foi de 2,8% porque " presença da TAP no aeroporto não tem paralelo com outra companhia". Pedro Nuno Santos adiantou, ainda, que "há disrupções na aviação em todo o Mundo" e que aquela média é conseguida "apesar de sermos o terceiro país da União Europeia que está mais perto dos valores de 2019 [em movimentos na aviação]".

De acordo com a monitorização efetuada pelo JN, na semana de 27 de junho a 3 de julho, através dos voos contabilizados no site da ANA, a média de cancelamentos da TAP ascendeu a mais de 10%, chegando a 14% durante o fim de semana. Apesar de a companhia aérea ser responsável por cerca de metade dos movimentos no Aeroporto de Lisboa, a nível de cancelamentos foi responsável por três em cada quatro (75%).

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O ministro assegurou que "ninguém previu a recuperação da procura na aviação antes de 2024" e que os despedimentos feitos no grupo TAP durante a pandemia foram "impostos pelo plano de recuperação", uma vez que "teria sido necessário injetar cinco mil milhões de euros, em vez dos 3,2 mil milhões" que foram autorizados por Bruxelas.

A discussão voltou-se, entretanto, para a questão do novo aeroporto de Lisboa e o estudo da Avaliação de Impacte Ambiental. Pedro Nuno Santos assegurou que o Governo pretende obter "o consenso mais alargado possível", ainda que, sublinhou, "nenhuma decisão vai ter o apoio de toda a gente".

Os deputados do PCP e do Bloco de Esquerda recordaram que Alcochete "já foi a decisão consensual para o novo aeroporto de Lisboa", mas depois a privatização da ANA - Aeroportos de Portugal tornou a dar força à localização no Montijo, que seria do interesse da concessionária.

"Quem vai decidir a localização do aeroporto vai ser o Estado, não vai ser a concessionária", assegurou Pedro Nuno Santos.

O ministro esclareceu que o contrato para o estudo de avaliação ambiental que tinha sido atribuído em concurso público a "um consórcio que tem ligações à concessionária dos aeroportos de Espanha" não foi assinado, mas não respondeu à Oposição quanto ao pagamento das indemnizações pela quebra do compromisso no referido concurso público.

Na comissão que se prolongou por toda a manhã, o impasse entre PSD e PS manteve-se irredutível, com os primeiros a desafiar o Governo a decidir e os segundos a apelar à discussão que permita chegar a um consenso, em que os partidos mais pequenos "também contarão", disse Pedro Nuno Santos.

Para Pedro Nuno Santos, "é óbvio que o hub [de Lisboa] é estratégico para o país e só a TAP pode operacionalizar", uma vez que "é a única forma de a localização do país deixar de ser uma desvantagem" na Europa.

Entre a discussão das localizações que serão "mais rápidas e mais baratas", uma vez que Pedro Nuno Santos remeteu para o estudo que a Confederação do Turismo de Portugal vai apresentar esta quinta-feira sobre o custo para o país da não realização da solução entretanto revogada, o ministro explicou ainda por que motivo Beja não é alternativa.

"Está a duas horas de Lisboa e, mesmo com TGV e terceira travessia do Tejo, a gastar milhares de milhões de euros, não ficaria a menos de hora e meia", adiantou. "Mesmo que adotássemos apenas como solução temporária: as companhias aéreas podem voar para Beja, o Governo não impõe nem proíbe. Mas nem a Ryanair, que tem exigido o Montijo como solução, admite voar para Beja", acrescentou Pedro Nuno Santos.

Questionado ainda sobre os contratos de serviço público para as ilhas de Santa Maria, Faial e Pico e o investimento da ANA no aeroporto da Madeira, o ministro das Infraestruturas esclareceu que estão a ser "trabalhados valores" para que a SATA possa fazer as ligações açorianas sem "incumprir o plano de reestruturação" a que também está obrigada e que, no caso do Aeroporto Cristiano Ronaldo "as obras da responsabilidade da ANA estão atrasadas, estão em fase de projeto de execução" e poderão arrancar em 2023.

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