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Ministro do Ambiente não suspende linha circular no metro de Lisboa

Ministro do Ambiente não suspende linha circular no metro de Lisboa

O Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, garantiu esta tarde ao JN que não vai suspender as obras da linha circular.

A Câmara de Lisboa aprovou, esta quarta-feira, uma moção do PCP na qual pede a suspensão desta linha, com obras já em curso, e insta o Governo à "reavaliação imediata" do projeto.

João Matos Fernandes diz que a suspensão da linha circular neste momento é "completamente extemporânea" e, apesar de mostrar "muita vontade" em reunir com o município, assegura que não volta atrás na decisão.

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"A obra continuará evidentemente, tem estudo de impacto ambiental aprovado, não é o que o homem quiser é aquilo que ali está depois de anos e anos de trabalho. Está há meses em obras e foram feitos todos os estudos para se perceber qual era a linha mais urgente a ser feita", frisou.

Na moção aprovada esta manhã de quarta-feira na Câmara de Lisboa pede-se também ao Governo que não assine a consignação das obras dos viadutos do Campo Grande, uma das fases mais importantes da linha circular, marcada para esta semana, que Matos Fernandes também recusa. "Obrigaria a indemnização muito significativa ao empreiteiro, não tem sentido esse pedido", reagiu.

A moção foi aprovada com os votos a favor dos eleitos pela coligação "Novos Tempos" (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), do PCP e do BE, e com os votos contra dos eleitos pela coligação "Mais Lisboa" (PS/Livre), que apenas votaram favoravelmente a definição de prioridades na expansão na rede. O projeto prevê a criação de um anel envolvente da zona central da cidade, com a abertura de duas novas estações: Estrela e Santos. A linha circular vai ligar a estação do Cais do Sodré (linha Verde) à do Rato (linha Amarela).

O vereador do PCP João Ferreira, autor da moção, explicou ao JN que além da nova configuração do metro ser "desaconselhada por razões de ordem técnica" vem "quebrar uma ligação direta da zona norte da cidade ao centro de Lisboa". "Vai-lhes passar a ser exigido um transbordo e à medida que aumenta o número de transbordos por deslocação há uma saída de pessoas deste modo de transporte, que encontram outras opções de mobilidade, e não é isso que queremos, não queremos criar entraves a essa mobilidade", explicou ao JN.

O vereador comunista pediu, por isso, "uma reavaliação do projeto" e que o Governo reúna com a autarquia para "identificar prioridades para o desenvolvimento da rede". "O Estado não deve despejar dinheiro numa linha relativamente à qual existe uma oposição muito alargada", considerou. João Ferreira considera que a linha circular adiou investimentos prioritários como "ligações à zona ocidental de Lisboa, uma ligação de metro a Loures, a ligação entre as linhas verde e azul, entre outras".

Miguel Gaspar, vereador do PS, que votou contra a moção, explicou ao JN que "todos os estudos mostraram que esta era a linha que captava mais passageiros" e lembrou que "tem um impacto para quem chega ao Cais do Sodré, onde chegam mais pessoas, de Oeiras, Cascais, Almada, Seixal e Moita". "Achamos que já não está na altura de andar para a frente e para trás com investimentos na cidade que são muito demorados. O que as pessoas esperam de nós é uma melhoria dos transportes, é o que estamos a fazer com esta linha", acredita.

O Ministro do Ambiente argumentou ainda que a linha circular vai permitir frequências de três em três minutos e que "só resolvendo o coração do sistema de transportes é que se consegue fazer as expansões mais periféricas", pedidas pelo PCP e outros partidos da oposição.

Matos Fernandes deixou ainda alguns recados à autarquia. "Quero ter a oportunidade que nunca tive de explicar ao presidente da câmara quais são as razões da construção da linha circular. Era o que devia ter sido feito antes de ter sido discutida qualquer moção. A câmara é que optou por comunicar desta forma e não reunir connosco", lamentou.

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