Protesto

Ministro e Chefe do Estado Maior do Exército vaiados em Aveiro por antigos paraquedistas

Ministro e Chefe do Estado Maior do Exército vaiados em Aveiro por antigos paraquedistas

Dezenas de antigos paraquedistas manifestaram-se, este domingo, durante as comemorações do Dia do Exército, que decorreram em Aveiro, desagradados pelo facto de não ser permitido aos paraquedistas em atividade cantarem "Pátria Mãe" e marcharem da sua forma característica.

Os discursos do Chefe de Estado Maior do Exército, General José Nunes da Fonseca, e do ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, foram pontuados por assobios, insultos e críticas. "Palhaço" e "Demissão" foram das palavras mais repetidas e o cântico "Pátria Mãe" foi entoado por diversas vezes.

"Querem acabar as tradições dos paraquedistas", criticou o antigo paraquedista Carlos Gomes, exigindo mais "respeito" por quem fez grandes "sacrifícios" pela pátria. A revolta também tomou conta de Ricardo Lemos. "Servi o meu país durante oito anos, fiz missões em Timor. Ganhei esta boina com sangue, suor e lágrimas", explicou, exigindo respeito. O cântico, acrescentam ambos, "representa as nossas raízes".

Em reação, a porta-voz do Exército disse desconhecer a alegada proibição ou qualquer ordem interna nesse sentido e disse que o Exército não comenta os protestos.

No fim da cerimónia, o ministro não deu resposta às críticas. Foi "um dia de celebração, de agradecimento. Este foi um ano extraordinário, muito difícil para as Forças Armadas e o Exército", disse João Gomes Cravinho, sem responder aos jornalistas que o questionaram sobre a proibição do cântico.

Os antigos paraquedistas foram impedidos pela Polícia Militar de se aproximarem do ministro. Pelo menos quatro manifestantes foram identificados pela PSP, apurou o JN.

Na convocatória para a manifestação, feita de forma informal e com enfoque nas redes sociais, as críticas ao CEME, recentemente reconduzido no cargo, são extensas. Entre outras medidas que causam desagrado, está a proibição de uso das respetivas boinas. "Criou uma lei em que os Paraquedistas, Comandos e Forças Especiais não podem usar as respetivas boinas (que conquistaram com suor), fora das unidades", tendo que usar a boina preta, situação que causa "revolta". A situação em Aveiro foi "a cereja no topo do bolo" e desencadeou a manifestação.

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