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Montenegro acusa Costa de "truque indesculpável" para enganar pensionistas

Montenegro acusa Costa de "truque indesculpável" para enganar pensionistas

O líder do PSD acusou, esta quinta-feira, o primeiro-ministro de "habilidades" e "truques" para enganar os pensionistas de uma forma "indesculpável". Para Luís Montenegro, o Governo está num "desnorte, numa desorganização e sem autoridade para conseguir conduzir os destinos do país".

Foi com um discurso muito duro em relação ao Governo de maioria absoluta socialista que Luís Montenegro abriu o primeiro Conselho Nacional do PSD da sua liderança. Em causa, sobretudo, a suspensão, em 2023, do cálculo legalmente estabelecido para as pensões e dos sucessivos casos polémicos envolvendo membros do Executivo.

"Há uma coisa que o primeiro-ministro fez que é indesculpável. Usa e abusa de uma habilidade de retórica para não assumir o que fez aos pensionistas", acusou o líder social-democrata, referindo-se ao apoio extraordinário de 50% da pensão que vai ser pago, em outubro, e à suspensão do cálculo das pensões, em 2023.

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Recordando que ainda há dois meses, o primeiro-ministro garantia repetidamente que a lei iria ser cumprida no que toca aos aumentos anuais das pensões, Luís Montenegro considerou que o que foi feito com o pacote de apoio às famílias, apresentado no início do mês, foi "uma habilidade, um truque", porque agora "António Costa vem dizer que aumenta sempre todos os anos".

"Pode fazer os jogos de palavras que quiser. Não está em causa as pensões subirem de valor. O que está em causa é que, em 2023, os pensionistas vão ter menos mil milhões de euros. Em 2024, 2025, até ao fim das suas vidas, os pensionistas vão ter menos mil milhões de euros. Ponto final", vincou Montenegro, considerando "intolerável" que se, afinal, o apoio de outubro for um suplemento extraordinário que quem ganha 400 euros vá receber 200 euros e quem ganha 2500 vai receber 1250 euros.

Num discurso de cerca de 40 minutos, Luís Montenegro antecipou que o partido vai apresentar propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2023, como a que anunciou no congresso do Porto, de uma taxa máxima de 15% para o IRS dos jovens até aos 35 anos.

O líder do PSD prometeu, assim, uma oposição forte ao Governo socialista. E deu provas disso logo no início da sua intervenção de abertura do Conselho Nacional, que decorre esta quinta-feira em Lisboa, ao acusar o Executivo de António Costa de ser "um Governo desnorteado, desorganizado e sem autoridade para poder conduzir a governação do país".

Em causa, os vários casos de desautorização e de polémica envolvendo membros do Governo, como o que envolveu o despacho do ministro Pedro Nuno Santos a propósito do novo aeroporto de Lisboa.

"Mas não foi um caso isolado", atirou o líder do PSD, considerando que, depois, sucederam-se "as mais variadas descoordenações", como a que envolveu a ex-ministra da Saúde, Marta Temido, ao responsabilizar os anos 80 pela falta de médicos, o da contratação do ex-jornalista Sérgio Figueiredo pelo ministro da Finanças Fernando Medina.

Há, contudo, "episódios" que o presidente dos sociais-democratas considera mais "lamentáveis", por revelarem "desconsideração pelo povo em matérias relevantes". Entre os quais, o facto de a ministra da Agricultura ter lembrado a CAP que não apelou ao voto no PS, quando esta pedia apoios; e o da secretária de Estado da Proteção Civil que, "perante perdas materiais e de vidas", considerou "estar satisfeita porque só ardeu 75% do que indicava um algoritmo".

"Isto fez escola no Governo", prosseguiu Luís Montenegro, para atacar o ministro da Educação por, na abertura do ano escolar, estar satisfeito com o facto de 60 mil alunos ainda não terem professor a uma disciplina, ao dizer que poderiam ser 100 mil.

"Isto é desrespeitoso, se não dizer insultuoso do esforço que os portugueses fazem", concluiu o líder do PSD, sem esquecer o episódio mais recente em que o ministro da Economia foi contradito pelos seus secretários de Estado no que toca à taxa de IRC.

Confrontado no Parlamento, no debate em plenário desta quinta-feira, o primeiro-ministro fez o que Luís Montenegro considerou terem "sido aqueles truques de retórica" para que não se percebesse que está do lado dos secretários de Estado. "É preciso fazer política direta, de forma transparente", exortou o presidente dos sociais-democratas.

Aos que internamente lhe apontam o dedo por ainda não ter definido que localização para o novo aeroporto de Lisboa o PSD deve apoiar, Luís Montenegro atirou: "O Governo nem a metodologia conseguiu fazer em sete anos".

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